Isto é uma página de arquivo

Todas as notícias do dia estão agora disponíveis na página principal do portal SAPO

25 de Março de 2008, 12:47

Dengue: Autoridades da Madeira desaconselham viagens ao Rio de Janeiro

As autoridades madeirenses estão preocupadas que uma pessoa vinda do Rio de Janeiro traga a doença para a Madeira, onde - ao contrário de Portugal Continental - existe o mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, sobretudo no Funchal.

Maurício Melim salientou que, apesar de não haver a doença na Madeira, a região tem o vector da dengue, o mosquito Aedes Aegypti, sobretudo no Funchal, o que obrigou as autoridades sanitárias madeirenses a efectuarem nos últimos anos acções de desinfestação em espaços públicos e em residências.

"O primeiro grande conselho é no sentido de que, havendo um problema de saúde pública no Rio de Janeiro, a sugestão nesta altura é que os que não precisam mesmo de lá ir, não vão", afirmou.

"Na Madeira temos o vector, não temos a doença, e temos que ter todo o cuidado, o que vai no sentido de evitarmos situações que possam ser complicadas e difíceis de controlar", declarou o responsável pela saúde pública madeirense.

Adiantou que o principal cuidado que as pessoas devem ter quando vão para países como o Brasil, onde há doenças causadas por vectores, "é fundamentalmente não deixar que o mosquito pique, visto que nunca se sabe qual o que está infectado".

O mesmo responsável recomendou "sempre a utilização de repelentes, ar condicionado nos quartos e no fim do dia e ao amanhecer o uso de roupa com mangas compridas".

"Estamos atentos, particularmente às pessoas que viajam para países quer na América do Sul ou África subsahariana, e quando regressam à Madeira, se algum sintoma ou sinal surgir devem procurar os cuidados de saúde e informarem os médicos se tiveram nesses países", sustentou Maurício Melim.

De acordo com o governante, "muitas pessoas estiveram na Páscoa em determinados destinos exóticos" pelo que instou a que - caso surjam sintomas como "febre sem explicação plausível e dores musculares ou articulações (mialgias)" procurem os cuidados de saúde e "informem quais os países em que estiveram".

Maurício Melim acrescentou que segunda-feira foi emitida uma circular para os profissionais de saúde da região para que estejam atentos aos sinais e sintomas, "por forma a que se possa diagnosticar o mais precocemente possível e evitar outras situações que eventualmente possam surgir se não forem tomadas as medidas necessárias".

Na Madeira existem consultas de medicina do viajante no centro de saúde do Bom Jesus e Hospital dos Marmeleiros e está disponível muita informação na Internet, realçou.

Mencionou que as autoridades da saúde pública madeirense estão em contacto com Lisboa, com os serviços relacionados com esta problemática da epidemia de dengue no Rio de Janeiro, estando disponíveis informações e recomendações no sitio da direcção-geral de Saúde.

Disse ter conhecimento que nos aviões que partem para o Brasil são entregues folhetos informativos aos passageiros e que em todos os aparelhos são feitas pulverizações com insecticidas antes da partida daquele país e na chegada a Portugal.

"Está sendo feito o que é possível fazer e vamos procurar que o problema não nos atinja", destacou.

Sobre a proliferação na Madeira do mosquito que transmite a dengue, Maurício Melim salienta que devido à descida da temperatura a região está "numa situação mais ou menos confortável".

"A grande maioria das armadilhas tem dado negativo e dentro em breve recomeçarão as campanhas de rua, de pulverização com insecticida", acrescentou.

"Vamos continuar a trabalhar para ver se este problema não continua a apoquentar os madeirenses", concluiu.

Este tipo de mosquito que transmite a dengue foi detectado há cerca de três anos no concelho do Funchal, sendo desconhecida a forma como surgiu na Madeira e muitas pessoas tiveram de recolher aos serviços de saúde para tratamento, mas nenhum caso da doença foi diagnosticado na Madeira

No Rio de Janeiro foram confirmadas 48 mortes nos três primeiros meses deste ano, que já ultrapassaram os 31 óbitos registados no Estado em 2007.

Já a Direcção-Geral de Saúde, em Lisboa, aconselhou os médicos que suspeitem de infecção de dengue numa pessoa que viajou nos últimos 14 dias ao Rio de Janeiro a confirmar a doença através de análise sanguínea.

Segundo uma circular informativa dirigida aos médicos do sistema de saúde, a DGS refere ser "admissível que um viajante aparentemente saudável, proveniente da área afectada, venha a manifestar a doença em Portugal".

Por isso, perante uma suspeita de contágio e uma viagem nos últimos 14 dias, os médicos deverão confirmar o diagnóstico através de uma análise laboratorial no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

Na segunda-feira, o director-geral da Saúde, Francisco George, sublinhou que a doença apenas se transmite através de um mosquito que não existe em Portugal continental e não de pessoa para pessoa.

Desde o início de 2008, mais de 32 mil casos foram registados no Estado do Rio de Janeiro e quase 100 mortes foram notificadas como suspeitas de dengue, tendo 48 destas sido confirmadas.

Só na cidade do Rio de Janeiro foram divulgadas 30 mortes.

A dengue transmite-se pela picada do mosquito Aedes aegypti e tem efeitos semelhantes aos da gripe, mas em muitos casos é mortal, sobretudo na sua vertente hemorrágica.

AMB/PL

Lusa/fim

Agência Lusa

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade