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Porto, 03 Ago (Lusa) - O diário portuense "O Primeiro de Janeiro", que sexta-feira suspendeu a publicação e hoje anunciou o seu regresso às bancas segunda-feira, está a ser redigido pelos jornalistas do "Norte Desportivo", confirmou à Lusa o director daquela publicação.
Em declarações à agência Lusa, Rui Alas disse que "o novo projecto" de "O Primeiro de Janeiro", cujos jornalistas foram despedidos colectivamente na semana passada, está agora a ser feito pelos 10 redactores do "Norte Desportivo", em sinergia com o diário gratuito "Notícias da Manhã", de Lisboa, pertencente ao mesmo grupo.
"Os jornalistas do 'Norte Desportivo' passam a integrar o novo projecto do 'O Primeiro de Janeiro'", vincou Rui Alas.
O "Norte Desportivo" integrava "O Primeiro de Janeiro" como suplemento.
Rui Alas, que acumulará o cargo de director do "novo" Janeiro, garantiu que o jornal "não será gratuito", manterá "o preço de capa", continuará a ser distribuído pela VASP e só mudará na tiragem, que será reforçada de 20 para 30 mil exemplares, de segunda a sexta-feira.
O novo director do Janeiro, cujo nome encabeçará já a edição de segunda-feira, disse que o projecto terá "novo grafismo", mas "mantém política editorial" centrada na "Área Metropolitana do Porto e Região Norte, Desporto e Cultura".
"O que mudou foi a empresa que faz o Janeiro. A outra empresa faliu, pelo que me disseram. Estamos a fazer o novo projecto, que tem a ver com a alma do Janeiro, mas não tem nada a ver com a edição do Janeiro como estava a ser feita", afirmou Rui Alas à Lusa.
Questionado sobre o facto de "O Primeiro de Janeiro" ter despedido 32 jornalistas na sexta-feira passada e passar de imediato a ser produzido pelos jornalistas do "Norte Desportivo", Rui Alas escusou-se a dar uma opinião, limitando-se a afirmar: "É exclusivamente da responsabilidade da administração".
Rui Alas assina o comunicado enviado em nome da administração da empresa proprietária dos dois títulos ["O Primeiro de Janeiro" e o "Norte Desportivo"], a "Folio - Comunicação Global, Lda".
No comunicado, a empresa garante que o jornal voltará segunda-feira às bancas, com novo grafismo, e com uma tiragem de 30 mil exemplares.
Na carta de rescisão de contrato dos 32 jornalistas de "O Primeiro de Janeiro", a empresa alegava "um baixo número de vendas, rondando os 20 mil exemplares", disse à Lusa fonte da redacção.
Desde sexta-feira que os jornalistas de "O Primeiro de Janeiro, despedidos colectivamente, têm comparecido no local de trabalho.
No comunicado hoje enviado, a administração de "O Primeiro de Janeiro" nada adianta sobre a situação destes trabalhadores.
A empresa refere que "o diário, que completa 140 anos de vida ininterrupta, vai estar nas bancas e em pontos de leitura distribuídos por locais seleccionados, com uma reforçada distribuição de mais 30 mil exemplares".
Acrescenta que o matutino regressará com "um novo grafismo, adaptado às actuais e futuras preferências dos leitores, renovando a sua linha editorial, que privilegia o Porto e o Norte e mantendo a Cultura e o Desporto como referências".
Também a edição on-line se apresentará renovada, refere a administração da "Folio, Comunicação Global, Lda", empresa proprietária do Primeiro de Janeiro.
A directora do jornal, Nassalete Miranda, anunciou quinta-feira que "O Primeiro de Janeiro" cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo".
No dia seguinte, sexta-feira, os trabalhadores do jornal receberam as cartas da administração que extinguem os seus postos de trabalho por reestruturação da empresa detentora do título.
Contactado hoje pela Lusa, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, lamentou o comportamento da empresa por estar a tentar "descartar-se de 32 funcionários, como se fossem algo que se pode usar e deitar fora".
"Denunciaremos todas as ilegalidades que se verificarem", afirmou Alfredo Maia, considerando que "o comportamento da administração levanta muitas dúvidas sobre a legitimidade que tem para fazer um jornal".
O dirigente do Sindicato apelou às pessoas que estejam envolvidas na edição de segunda-feira, que se desconhecem, para fazerem "uma reflexão sobre a forma como estão a ser instrumentalizadas para substituir os trabalhadores despedidos ilicitamente".
Em comunicado divulgado logo após os trabalhadores terem sido informados do fecho do jornal, o Sindicato alertou os mais de 30 jornalistas e restantes trabalhadores afectados para o facto da administração do matutino portuense não poder "encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias".
Para o Sindicato, o "encerramento ilegal" daquele jornal e o despedimento abusivo de mais de 30 jornalistas e outros quatro trabalhadores ao seu serviço, configura um verdadeiro 'lock-out', traduzido na mudança de fechaduras das instalações realizada pouco depois da comunicação do encerramento.
"O Primeiro de Janeiro", actualmente detido pelo grupo do empresário de Oliveira de Azeméis Eduardo Costa, é um dos mais antigos diários de Portugal.
AEA/PM/LYL.
Lusa/fim

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