Lisboa, 24 Mai (Lusa) - O presidente da associação que representa os revendedores de combustíveis apelou hoje ao Presidente da República para que "ponha cobro" aos aumentos de preços, sugerindo que chame e ou��a "pessoas chave" como membros do Governo e o presidente da Galp.
"Quando o ministro das Finanças diz que não baixa o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) e o primeiro-ministro diz que não baixa o ISP porque é injusto em relação aos portugueses que não têm carro, acho que a única pessoa a que todos, os consumidores de combustíveis, podemos recorrer é o presidente da República", disse Augusto Cymbron à agência Lusa.
O presidente da ANAREC falava horas depois de a Galp ter subido (às 00:00 de hoje) os preços dos combustíveis nos seus postos de abastecimento, aumentando o custo do litro do gasóleo em três cêntimos e o da gasolina em dois cêntimos.
O litro da gasolina sem chumbo 95 octanas custa agora 1,41 euros, enquanto o preço da gasolina sem chumbo 98 passa a 1,63 euros e o do gasóleo subiu para 1,41 euros.
"Se o Presidente da República já está sensibilizado para o problema e, como todos nós, ouviu o secretário geral da OPEP a dizer que ´o negócio está maluco`, que não há falta de petróleo e que não se justifica preços destes - que são fruto da desvalorização do dólar e da especulação - nós temos que pedir a alguém com um estatuto moral reconhecido pelos portugueses que ponha cobro a isto", disse também o presidente da ANAREC.
De acordo com Augusto Cymbron, Cavaco Silva "poderia chamar algumas ´pessoas chave` e pedir bom senso", tais como "o ministro das Finanças, o ministro da Economia, o primeiro-ministro e o presidente da petrolífera nacional [a GALP]".
"[Cavaco Silva] poderia perguntar-lhes se o presidente da OPEP tem razão, poderia perguntar-lhes a quanto as petrolíferas estão a comprar produto este ano aos países exportadores de petróleo e saber por que é que têm de convencer as pessoas que o petróleo está a 130 euros (o barril) quando foi afirmado por um professor de Economia que as petrolíferas tem contratos firmados para o ano de 2009 a 54 euros/barril", afirmou também.
"Ou seja, para 2009 o petróleo custará às petrolíferas 84 dólares (54 euros) - e se houver maior desvalorização do dólar isso representará ainda menos euros. Porque é que eles estão a usar preços anunciados na comunicação social mas que são para bens futuros, para 2012, 2013 e 2014", questionou.
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