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06 de Agosto de 2007, 14:42

Ambiente: Norte com elevadas concentrações de partículas e ozono

Em conferência de imprensa realizada no Porto, responsáveis da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) revelaram as conclusões e propostas do estudo "Planos e Programas para a Melhoria da Qualidade do Ar na Região Norte (2001-2004)".

De acordo com o documento, realizado a nível nacional, a região Norte aparenta ser aquela que regista maiores concentrações dos poluentes O3 e PM10.

Em termos europeus, o Norte encontra-se a par de regiões do Leste Europeu, de Itália, Bélgica e Holanda em termos de níveis de concentrações de PM10.

Em relação ao ozono, os principais problemas a nível europeu verificam-se exactamente na região Norte de Portugal, mas também na Europa Central e no Norte de Itália.

Paulo Gomes, da CCDRN, explicou que o facto da região nortenha concentrar um elevado número de indústrias e se tratar de uma região que atinge temperaturas muito elevadas, em determinadas épocas do ano, justificam estes valores.

Retirar a circulação de veículos pesados de determinadas zonas urbanas, lavar ruas, substituir lareiras por aquecimento central, criar zonas de emissões reduzidas nos centros das cidades e implementar um sistema de placas de matrícula alternadas são algumas das medidas apresentadas, que visam combater o elevado número de vezes que a região ultrapassa os valores limites legislados de emissões de poluentes atmosféricos.

"Estas medidas, aplicadas conjuntamente, permitem reduções de emissões de partículas à volta dos 50 por cento e reduções de óxidos de azoto de cerca de 20 por cento", acrescenta o texto.

A lavagem de ruas nas artérias mais poluídas de cada concelho pode significar uma redução de emissões até 30 por cento, enquanto, por exemplo, a substituição de lareiras pode chegar aos 16 por cento ao nível dos concelhos.

"As medidas que se relacionam com a gestão do tráfego dos veículos pesados são as mais eficazes em termos de reduções das emissões", refere o estudo, dando conta que a proibição de circulação, a 50 por cento deste tipo de pesados de mercadorias nos centros da cidade, "traz grandes vantagens ao nível da diminuição dos custos externos".

Segundo o presidente da CCDRN, Carlos Lage, "não estamos perante medidas pontuais, trata-se de um dispositivo que se destina a reduzir as emissões destes poluentes até níveis aceitáveis".

O responsável defendeu, por exemplo, a redução da velocidade máxima na Via de Cintura Interna (VCI), no Porto, de 90 para 80 quilómetros/hora, e a instalação de radares em toda a artéria como forma de diminuir a emissão de partículas.

"Aquela via tem um movimento colossal e a emissão de poluentes ali é enorme", frisou.

A CCDRN começará em Setembro a discutir com autarquias, associações de municípios e ambientalistas os planos de acção para melhoria da qualidade do ar tendo em vista a elaboração de programas de execução.

"Teremos que ter o plano de execução pronto até Março de 2008", adiantou Paulo Gomes, sustentando que a partir dessa altura as medidas preventivas entrarão em vigor.

A título de exemplo, Paulo Gomes adiantou que a zona da Boavista, no Porto, ultrapassou, em 2004, 135 vezes os limites legislados de emissões de poluentes.

Já Vila do Conde ultrapassou os limites 124 vezes nesse ano.

JAP.

Lusa/fim

Agência Lusa

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