Aveiro, 14Nov(Lusa) - Mobilizados pelo movimento "Unidos pela Saúde", dezenas de populares compareceram hoje na reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Anadia, destinada a debater o futuro do Hospital José Luciano de Castro.
No período de intervenção do público, José Paixão, que tem liderado o movimento "Unidos pela Saúde" durante os sucessivos protestos contra o encerramento da "urgência", quis saber do presidente da Câmara o estado das negociações com o Ministério da Saúde e se já havia algum entendimento.
José Paixão pretendeu também que fosse divulgado o acórdão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu que negou provimento à providência cautelar da Câmara para a reabertura da urgência, e pediu esclarecimentos sobre o eventual encerramento de mais serviços da área da Saúde no Concelho, nomeadamente da consulta aberta.
Os esclarecimentos foram dados pelo presidente da Câmara, Litério Marques, que afirmou estar aberto a assinar com o Governo "um protocolo que sirva os utentes de Anadia" mas garantiu que "nenhum protocolo será assinado sem vir à Assembleia Municipal".
Litério Marques disse também que continua disponível "para falar com a ministra da Saúde, para beneficiar as valências existentes".
"Não tenho procuração da Administração Regional de Saúde do Centro ou da ministra, nem tal me foi pedido mas tenho comigo um documento que desmente a possibilidade da consulta aberta ser encerrada", disse.
O autarca leu seguidamente uma carta da ARS do Centro, em que são enumeradas as medidas de beneficiação dos serviços de Saúde de Anadia já efectuadas ou em curso, bem como outras previstas, e em que é negado o encerramento de mais serviços no Concelho.
Sobre a providência cautelar para a reabertura da "urgência" do Hospital, Litério Marques salientou que "a Câmara, por unanimidade, entendeu não apresentar recurso da decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal, porque "dificilmente teria vencimento e servia apenas para queimar tempo".
A Assembleia Municipal extraordinária de hoje foi convocada a pedido do presidente da Câmara, Litério Marques, para dar conta das negociações que tem mantido com o Ministério da Saúde e debater o futuro do Hospital, procurando auscultar as sensibilidades partidárias locais.
A presença pouco habitual de tantos populares na sala foi elogiada pelo autarca, "como acto de participação cívica e exercício de democracia".
O primeiro protocolo proposto pelo Ministério da Saúde, após o encerramento da "urgência" do Hospital José Luciano de Castro(o chamado "protocolo Correia de Campos") foi reprovado pela Assembleia Municipal em sessão extraordinária, tal como a contra-proposta feita pela Câmara.
Após dezenas de acções de rua levadas a cabo pelo movimento de cidadãos "Unidos pela Saúde", a que se associou em algumas ocasiões o presidente da Câmara, Litério Marques, o Ministério da Saúde apresentou uma nova versão, já com Ana Jorge como ministra, que o autarca acabou por não assinar, face a novo protesto popular contra o eventual acordo.
MSO.
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