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02 de Janeiro de 2009, 13:34

Rússia/Gás: Presidente ucraniano escreve a líderes mundiais para explicar posições

Moscovo, 02 Jan (Lusa) - O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, enviou hoje uma carta a dirigentes de vários países onde reafirma que o seu país pagou todas as dívidas do gás à Rússia e acusa o Kremlin de não cumprir compromissos acordados.

"No dia 30 de Dezembro de 2008, a Ucrânia pagou ao fornecedor a totalidade do gás natural que recebeu durante o ano", sublinha Iuschenko na carta enviada a nove altos responsáveis estrangeiros e publicada no sítio electrónico da Presidência ucraniana.

A empresa de gás russa Gazprom ainda não confirmou ter recebido a totalidade do dinheiro e já veio declarar que, mesmo que Kiev tenha pago o que anunciou, terá de pagar ainda multas e juros de mora no valor de mais de 400 milhões de dólares (286,3 milhões de euros).

"Durante as negociações (com Moscovo)" - continua Iuschenko na sua missiva - "a Ucrânia respeitou estritamente os acordos conseguidos a 12 de Fevereiro de 2008 entre os presidentes dos dois países e os compromissos recíprocos fixados no memorando inter-governamental sobre a cooperação no domínio do gás, que data de 02 de Outubro de 2008".

Segundo o Presidente ucraniano, este último memorando prevê, entre outras coisas, uma transição gradual para os preços de mercado durante três anos.

A missiva foi dirigida aos dirigentes da Áustria, Itália, Alemanha, Estados Unidos, Hungria, França, República Checa, bem como ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

As negociações russo-ucranianas sobre as tarifas do gás cessaram no dia 31 de Dezembro sem qualquer tipo de acordo, o que levou a Gazprom a suspender os fornecimentos de gás à Ucrânia às 10:00 (07:00 TMG e de Lisboa) do dia seguinte.

No entanto, os países da União Europeia que recebem gás russo através do gasoduto ucraniano reconheceram que essa decisão não afectou os fornecimentos de combustível azul.

A Rússia começou por anunciar que pretendia que a Ucrânia passasse a pagar, a partir de 01 de Janeiro de 2009, 418 dólares por mil metros cúbicos de gás, contra os 179,5 dólares pagos em 2008, proposta que foi recusada por Kiev.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, baixou o preço para 250 dólares, sublinhando que se tratava de uma "tarifa preferencial", mas Iuschenko voltou a recusar, explicando que, segundo um memorando existente entre Moscovo e Kiev, o preço do gás deverá situar-se entre os 200 e 235 dólares. O Kremlin ficou irritado e respondeu com um novo aumento das tarifas para 418 dólares por mil metros cúbicos.

"Isto mostra que os dirigentes russos estão dispostos a acabar politicamente com o Presidente Iuschenko, devido ao facto de este defender posições pró-ocidentais. Se à frente das conversações estivesse a primeira-ministra Iúlia Timochenko, as conversações já estariam terminadas, visto que ela vive em estado de graça com o Kremlin", considerou uma fonte diplomática em Kiev, contactada pela Lusa por telefone.

Nos últimos tempos, a situação política na Ucrânia tem-se deteriorado seriamente, devido às divergências entre Iuschenko e Timochenko, agravada pelo facto de o país se encontrar muito perto da falência financeira e económica.

A fim de conseguir apoios para a continuação da contenda com a Rússia, Iuschenko tenta envolver "peritos europeus" (leia-se, a União Europeia) nas negociações com o Kremlin sobre o gás, tendo uma delegação ucraniana iniciado hoje uma digressão pela Europa para defender a posição de Kiev no diferendo sobre o gás russo.

"A delegação ucraniana deu explicações detalhadas sobre a situação relativa à passagem do gás russo através da Ucrânia e sobre as negociações em curso com a Rússia", declarou Iúri Prodan, chefe da delegação.

"As partes acordaram estudar nos dias seguintes a possibilidade de envolver peritos europeus nas negociações", declarou Prodan após negociações em Praga e Bratislava.

JM.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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