Ronaldo Fonseca, vocalista do grupo bracarense Peixe:Avião, que recentemente editou o seu álbum de estreia, afirmou à Lusa ser "difícil viver exclusivamente da música em Portugal", posição sustentada também por outros jovens músicos do panorama musical português da actualidade.
O cantor dos Peixe:Avião assume-se como "enfermeiro e terapeuta de medicinas complementares por profissão e músico por paixão".
O vocalista dos autores de "40.02" vê na música uma "necessidade criativa" e entende ser "necessário separar bem as águas". "Sou enfermeiro e músico mas espero - frisa - que estas coisas não se confundam".
Já André Henriques, vocalista e guitarrista dos lisboetas Linda Martini, trabalha como auditor numa empresa multinacional, trabalho onde "o fato e gravata são ferramenta essencial".
"O mais caricato - asssinala - acontece por vezes à sexta [-feira], quando por vezes temos concertos agendados e por falta de tempo tenho de ir directo do trabalho para o local do espéctaculo com uma mala para mudar de roupa à última hora antes do concerto".
André Henriques vê como "importante" a complementaridade entre o trabalho de músico e de auditor.
"Na verdade", assegura, "sinto-me confortável nesta pele porque ia-me custar estar completamente preso à música. O meu método de criação é muito intuitivo, surge quando tem de surgir, seria estranho sentir por questões editoriais ou financeiras que a inspiração teria de surgir forçosamente em dado momento".
O trio exclusivamente feminino Bellenden Ker incorpora uma vocalista licenciada em teatro, uma baterista com formação em biologia marinha e uma baixista academicamente vocacionada para o ensino primário e de conservatório.
Enquanto banda ainda sem qualquer registo, as Bellenden Ker praticam rock alternativo com influências de "Sonic Youth, Nirvana ou Patti Smith" e definem-se como uma banda "formada por três raparigas completamente diferentes".
À Lusa, a baixista Solange Campos sustenta que o "cenário ideal" seria poderem viver as três da música. "Se chegarmos ao final e verificarmos que não é possível, pelo menos podemos dizer que tentámos", diz.
Pedro Lourenço, músico fundador dos Woman In Panic e You Should Go Ahead, estes últimos já com dois álbuns e espectáculos passados com The Strokes ou Los Hermanos no cartório, trabalha como arquitecto na Câmara Municipal de Lisboa (CML) desde 2000.
"O trabalho que faço na CML acaba por servir como sustento para os investimentos na música", reconhece à Lusa.
"Se tivesse de optar entre a música e o meu trabalho escolhia sem dúvida a primeira. Mas é impossível fazer disto vida em Portugal. Conheço pessoas que tentam, mas a minha relação com a música tem acima de tudo a ver com carolice e paixão", argumenta o agora também responsável editorial, que fundou recentemente a Licked Records.
PZF/RMM.
Lusa/fim