A Fradiplás, instalada na zona industrial de Oliveira de Frades desde 2000, tinha 14 trabalhadores e dedicava-se à transformação de plástico já utilizado em granulado, que era depois vendido a outras fábricas para fazer tubos.
"Trata-se de um prejuízo de mais de um milhão de contos (cinco milhões de euros). Quando vim para cá gastei mais de 800 mil contos em máquinas e só tinha uma em 'leasing', que ia acabar no início do próximo ano. Agora fiquei sem nada", lamentou Luís Quintã aos jornalistas.
O fogo, que teve início poucos minutos antes das 07:00 e foi considerado circunscrito às 09:20, mobilizou 57 bombeiros e 21 viaturas, de nove corporações da região.
A fábrica começava a laborar às 08:00 e Luís Quintã era um dos primeiros a chegar, cerca de 15 minutos antes.
"Eram sete horas, estava-me a levantar para vir trabalhar, telefonou-me o encarregado a dizer que estava tudo a arder", contou emocionado, a escassos metros dos escombros.
O fogo, que durante cerca de três horas provocou um fumo negro, visível a muitos quilómetros de distância, só poupou o edifício dos escritórios.
"O seguro que tenho não cobre nem um terço", lamentou Luís Quintã.
No entanto, garantiu que vai tentar não encerrar a fábrica, mas antes "construir tudo de novo e pôr o aparelho a trabalhar".
"É disto que eu vivo", frisou o empresário, que vendia a grande maioria do granulado para fábricas portuguesas, exportando "uma percentagem muito pequena" para Espanha.
Segundo contou, "a fábrica estava bem, tinha encomendas" e a situação melhoraria ainda mais no final do primeiro trimestre de 2008, quando acabaria de pagar a última máquina, um encargo de cerca de dez mil euros mensais.
No local, vários populares e trabalhadores da fábrica assistiram ao trabalho dos bombeiros.
"Ainda estava em casa quando vi o fumo. Isto é uma tristeza muito grande", disse à Agência Lusa Cláudia Fonseca, que apenas trabalhava há três meses na fábrica.
No local, máquinas da Câmara de Oliveira de Frades estão a auxiliar os bombeiros a remexer os destroços - para facilitar as operações de rescaldo -, estando previstas ainda muitas horas de trabalho.
"Tratava-se de material altamente inflamável. Vamos ainda ter muitas horas de trabalho de rescaldo", disse à Lusa o comandante dos bombeiros de Oliveira de Frades, Fernando Farreca.
Quando os bombeiros chegaram ao local, as instalações "já estavam completamente tomadas pelas chamas", tendo a sua principal preocupação sido "fazer protecção às fábricas e ao pinhal envolvente", contou.
As causas do incêndio estão ainda por apurar mas, na altura em que deflagrou, não estaria ninguém dentro das instalações.
AMF.
Lusa/fim