Isto é uma página de arquivo

Todas as notícias do dia estão agora disponíveis na página principal do portal SAPO

15 de Janeiro de 2008, 17:59

Madeira: Jardim estará ao lado dos madeirenses no dia em que o povo quiser a independência

Alberto João Jardim falava após uma audiência que manteve na Quinta Vigia com o líder do PSD/Açores, Costa Neves, durante a qual "passaram em revista a situação da autonomia" e falaram do "estado da relação entre as regiões autónomas e o Governo da República".

"Eu tenho remado contra essa maré e se hoje há autonomia e a questão da unidade nacional não está em cima da mesa foi porque muito me empenhei neste sentido, embora Lisboa não o reconheça", disse Jardim

"Mas se o povo madeirense um dia quiser a independência, o meu lugar é ao lado do povo madeirense", declarou.

O líder madeirense salientou que em pleno "século XXI, vivemos num mundo completamente novo em que a democracia é um princípio sagrado para as pessoas".

"Nós madeirenses queremos continuar a ser portugueses. Não sou independentista e continuo a acreditar no princípio da unidade diferenciada", referiu.

Para Jardim, no caso do "povo madeirense querer um outro sistema autonómico, rejeitar este, e se Lisboa, não por razões fundamentadas mas por um simples autoritarismo discricionário e absurdo, não aceitar, é necessário saber o que vão fazer a seguir".

Por seu turno, Costa Neves disse estar de acordo que "o povo manda", acrescentando que as regiões autónomas "são portuguesas porque querem ser" e defendendo que a relação (autonomias-país) tem que ser construída por ambas as partes.

Instado a comentar o estado da alegada "união de facto" entre os governos madeirense e açoriano, Jardim considerou que neste momento "estamos perante um triângulo, em que os dois vértices da base são Costa Neves e Alberto João Jardim, porque interpretam que o povo quer".

"Depois, no vértice em cima, está Carlos César que não sabe se olha para baixo ou se segue o primeiro-ministro", aponta.

O líder madeirense considerou que o facto de Carlos César ter cancelado à última da hora o anúncio da sua recandidatura nos Açores e ter reunido com o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, poderá indicar "que não se entendem".

"Resta ver o que sai destas reuniões, qual é a digestão", mencionou com humor.

O líder madeirense sustentou que é necessário saber "o que é que o PS quer das autonomias".

"Porque andamos todos a ser enganados, visto que a Madeira e os Açores querem uma descentalização e andam sujeitos a gente que é contra. Irá o PS/Açores entrar em rebelião com a casa-mãe", questionou.

João Jardim declarou o seu apoio a Costa Neves nas eleições açorianas, sustentando que aquele arquipélago "merece dar o salto que a Madeira deu e ainda não conseguiu porque a economia é no sentido subsidiário, de compra de votos e assim não se vai a lado nenhum".

Considerou que o "povo açoriano já está a perceber que está a ser enganado nos tostões e não dá o salto em frente".

Quanto a Costa Neves afirmou que a união dos líderes sociais democratas insulares na defesa "indispensável" da revisão constitucional e criticou a lei "anti-autonomista" das Finanças das Regiões Autónomas.

O líder do PSD/Açores considerou ainda que no relacionamento entre os Açores e Lisboa se verificam situações oscilando entre o "abandono, a indiferença e a hostilidade".

AMB.

Lusa/fim

Agência Lusa

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade