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Arte: Pintura moderna tornou-se "um bom investimento" ... (ACTUALIZADA)

24 de Março de 2008, 16:22

Lisboa, 24 Mar (Lusa) - Quadros de Graça Morais, Júlio Resende, Palolo, Menez, Jorge Martins, Nadir Afonso e outros grandes nomes da pintura moderna portuguesa vão à praça quarta-feira, no terceiro leilão do género realizado em Lisboa em menos de um mês.

"A arte tornou-se a grande alternativa aos investimentos tradicionais. A médio e longo prazo, é um investimento certo e seguro", afirmou à agência Lusa Clara Ferreira Marques, proprietária da Leiria & Nascimento.

Trata-se da mais antiga leiloeira do país, fundada em 1882, e o leilão do próximo dia 26 - com 78 peças - é o segundo de pintura moderna e contemporânea que organiza este ano.

"Há novos compradores, que começam como investidores e depois tornam-se colecionadores. A arte também está a democratizar-se e quem vai aos leiloes já não só pessoas de uma certa idade", disse Clara Ferreira Marques.

Questionada sobre o numéro dos "novos compradores", a responsável indicou que são "várias centenas" e "muito mais jovens que os colecionadores convencionais".

"Só na nossa mailing list temos mais de duas mil pessoas", acrescentou.

Sara Andrade, directora do departamento de Arte Moderna e Contemporânea da leiloeira Palácio do Correio Velho, tem a mesma opinião: "O mercado está a crescer imenso".

Num leilão realizado dia 12 de Março, a Palácio do Correio Velho facturou mais de um milhão de euros e uma obra de Paula Rego de 1964 - um quadro sem título, nunca exposto em público - foi arrematado por 250 mil euros e um Júlio Pomar, "Entre Deux", rendeu 108 mil euros.

Aquele valor ficou, contudo, aquém dos 280 mil euros pagos duas semanas antes por um outro quadro de Paula Rego, "The Egyptian Cats", e que constitui um recorde da artista em leilões portugueses.

"Estamos a viver um momento em que o mercado de arte é cada vez mais valorizado e especulativo", comentou na altura o director do museu de Serralves, João Fernandes.

O recorde foi batido durante o primeiro leilão de arte moderna realizado no Centro Cultural de Belém, pela leiloeira Sala Branca, e que atraiu quase 300 pessoas.

"Há um desgaste das pessoas em relação aos investimentos tradicionais. Uma obra de arte é um bem real que as pessoas levam para casa", disse Pedro Mesquita da Cunha, da gerência da Sala Branca.

No mesmo leilão foram também arrematados por valores significativos os quadros "Teresa", de Júlio Pomar (180 mil euros), e "As Nuvens", de Menez (120 mil euros).

"As obras boas, e também as mais caras, subiram todas", comentou Mesquita da Cunha.

Segundo Bernando Pinto de Almeida, crítico e professor de arte, "há, de facto, um aumento brutal nesta área, mas nada que se compare com o mercado internacional, que está a valorizar-se 40 a 50 por cento ao ano".

"O ouro já não é o único valor seguro e nos últimos dez anos, graças aos novos milionários da China, Rússia e Índia, o mercado internacional da arte valorizou-se quase quatrocentos por cento", acrescentou.

No leilão de quarta-feira, o quadro mais caro - com uma base de licitação de 60.000 euros - é uma tela de Menez, de 1982.

Entre as peças que vão ser leiloadas figuram ainda obras de Álvaro Lapa, João Hogan, Nikias Skapinakis, René Bertolo, Mário Cesariny, Sónia Delaunay, José de Guimarães e Ilda David.

AC/AG.

Lusa/Fim

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