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Bargaparques: Domingos Névoa nega tentativa de corrupção, afirma que era "jogo do gato e do rato"

16 de Setembro de 2008, 19:06

Lisboa, 16 Set (Lusa) - O sócio-gerente da empresa Bragaparques Domingos Névoa negou hoje em tribunal ter querido corromper o vereador lisboeta Sá Fernandes, afirmando que se limitou a um "jogo do gato e do rato" com o mediador da alegada tentativa de corrupção.

Na primeira sessão do julgamento, no tribunal da Boa-Hora, em que responde por corrupção activa para a prática de acto ilícito, Domingos Névoa reiterou que foi o irmão do vereador, Ricardo Sá Fernandes, que o abordou primeiro para lhe exigir dinheiro, a troco do qual José Sá Fernandes desistiria de uma acção contra a permuta de terrenos entre a Bragaparques e a Câmara Municipal e faria uma declaração pública manifestando-se a favor da troca do Parque Mayer pela Feira Popular.

"Ricardo Sá Fernandes instrumentalizou-me, armadilhou-me e condenou-me", afirmou Domingos Névoa, frisando que manteve contactos com ele ao longo de três encontros num hotel lisboeta numa lógica de "gato e rato", esperando conseguir a anulação da acção popular sem ter que entregar dinheiro.

Questionado pelo colectivo que julga o processo, Domingos Névoa admitiu que queria "enganar" Sá Fernandes, mostrando-se disponível para dar dinheiro mas protelando a sua entrega.

O sócio-gerente da Bragaparques afirmou que as conversas gravadas por Ricardo Sá Fernandes e que constam do processo foram "conduzidas e direccionadas" pelo irmão do vereador do Bloco de Esquerda, reiterando diversas vezes que as propostas de corrupção e a ideia da declaração pública partiram de Ricardo Sá Fernandes.

Um dos ponto chave da argumentação da defesa é que Ricardo Sá Fernandes terá abordado Domingos Névoa antes das eleições autárquicas de 09 de Outubro de 2005: Domingos Névoa afirmou que o irmão do vereador - que afirma ter conhecido através da sociedade de advogados que partilha com outra advogada que representa a Bragaparques - pediu numa primeira fase dinheiro para pagar custas judiciais de José Sá Fernandes e apoios para a campanha das autárquicas.

Por sua vez, Ricardo Sá Fernandes, que começou hoje também a depôr, negou categoricamente ter falado com Domingos Névoa antes de Janeiro de 2006, quando afirma que o sócio da Bragaparques o contactou para alegadamente lhe apresentar a proposta de corrupção.

Domingos Névoa afirmou que Sá Fernandes estava "ambicioso e obsecado com dinheiro", pressionando-o para entregar 200 mil euros - quantia que começou por ser 500 mil euros e baixou depois para 250 mil, segundo o despacho de pronúncia.

O sócio-gerente da Bragaparques afirmou "nunca ter dado um passo" para ir ao encontro de Sá Fernandes.

Questionado sobre a sua aparente disponibilidade para sugerir mais encontros e maneiras de concretizar a corrupção, tal como as forma de pagamento, manteve que a sua estratégia era de conseguir o que Sá Fernandes oferecia sem ter que pagar.

APN.

Lusa/fim

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