O Programa ALLGARVE 08 Arte Contemporânea foi hoje apresentado, em Lisboa, pelo secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, pelo presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, pelo presidente da Fundação de Serralves, António Gomes de Pinho, pelo coordenador-geral da iniciativa, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, João Fernandes, e pelos comissários das restantes exposições.
João Fernandes sublinhou que a organização do programa, em segunda edição este ano, optou por convidar artistas a criar projectos inéditos no terreno, em vez de centrar as exposições na colecção do Museu de Serralves, como aconteceu no ano passado.
"A ideia foi lançar uma programação que credibilizasse o Algarve com a apresentação de exposições de arte contemporêanea concebidas especificamente para a região, e também abrir a iniciativa a outras colecções, como a Colecção Berardo e a da Ellipse Foundation", colaboradores do programa, salientou.
As sete exposições do programa envolvem 59 artistas portugues e estrangeiros e vão decorrer de 14 de Junho a 07 de Setembro nos municípios de Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Portimão e Albufeira, em quinze espaços que vão desde praias, o aeroporto de Faro, antigas fábricas, munumentos e centros culturais.
Fernanda Fragateiro, Bill Viola, Tobias Rehberger, João Tabarra, James Turrell, Rui Sanches, Ângela Ferreira, Miguel Palma, Ricardo Jacinto, João Maria Gusmão, Pedro Paiva, Thomas Hirschhorm, William Kentridge, Eduardo Padilha e Susana Guardado são alguns dos criadores que participam no programa.
João Fernandes é também comissário de uma das exposições do programa, intitulada "Holidays in the Sun", produzida pelo Museu de Serralves e que irá ser apresentada no aeroporto de Faro e nas praias de Quarteira e Quinta da Fonte da Pipa (Loulé), Santa Eulália e São Rafael (Albufeira), Praia da Rocha e Antiga Lota (Portimão).
Fernandes explicou ter dado à exposição o título de uma canção dos Sex Pistols criada em 1977 - que abordava a utopia das férias e do lazer que os problemas políticos e sociais desmentiam - porque acabou por ser o ponto de partida para a criação de trabalhos em que "os artistas interrogam lugares e situações associáveis ao lazer e turismo na sociedade contemporânea".
"São locais espantosos e pouco conhecidos da costa do Algarve onde serão colocadas ocupações artísticas efémeras, e que poderão ser momentos de descoberta", assinalou o comissário, observando que este projecto surgiu "como um desafio para qualificar a experiência do lazer" na região.
"Queixamo-nos por não ter nada para fazer nas férias, mas é nestes períodos que temos mais disponibilidade para ler livros, jornais, e até estamos bastante abertos a novas experiências", referiu.
Além de "Holidays in the Sun", as outras exposições previstas no programa são "Mundos Locais: Espaços, Visibilidades e Fluxos Transculturais", comissariadas por Lúcia Marques e Paula Roush, no Centro Cultural de Lagos, "Reacções em Cadeia: Transformações na Arquitectura do Hotel", comissariada por Luís Tavares Pereira, com a colaboração do fotógrafo Paulo Catrica, do escritor Jorge Gomes Miranda e dos arquitectos Paula Santos e Paulo Martins Barata, no Lagar das Portasd do Céu e na Quinta da Fonte da Pipa, em Loulé.
"Articulações", uma outra exposição do programa, comissariada por Nuno Faria, reunirá 23 artistas que vão criar projectos relacionados com a história, memória e uso de lugares específicos, e estará patente na Fábrica da Cerveja (Faro), na Mina Campina de Cima (Loulé), e no Convento de Santo António (Loulé).
"William Kentridge" é outra exposição do programa, que decorrerá no Convento de São José (Lagoa), com obras deste autor, provenientes da colecção Ellipse Foundation.
Por seu lado, "Bill Viola il Vapore" e "James Turrell Fargo, Blue", no Museu Municipal de Faro, mostrarão obras da Colecção Berardo, e "Sem Actividade", comissariada por Sérgio Mah, apresentará obras do fotógrafo Ignasí Aballí no Museu de Portimão.
No final da apresentação, o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, disse à Agência Lusa que o programa total representa um investimento de cerca de um milhão de euros, envolvendo 750 mil euros do Turismo de Portugal e o restante das autarquias parceiras e dos mecenas.
"Os programadores turísticos queixavam-se da falta de um programa de animação na região do Algarve, e, através desta iniciativa, será possível valorizar o Algarve, colocando a arte contemporânea como um dos pilares da oferta cultural, a par da música e de outros eventos", apontou.
Disse ainda que, "depois de um período negativo entre 2002 e 2005, o Algarve registou uma inversão positiva em 2007, com um crescimento de 8,2 por cento".
AG.
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