Após nove edições consecutivas a fechar com um 'crono', a principal corrida do calendário luso reserva desta vez o decisivo exercício para a penúltima etapa e oferece uma jornada de consagração ao camisola amarela, no último dia, em Lisboa, extremo sul de uma prova de 1613,9 quilómetros, em que não cabem o Alentejo e o Algarve.
Com nove dias de corrida nas pernas, prólogo de Viseu (5,5 km) incluído, e um de descanso pelo meio, os 32,6 quilómetros de 'crono' entre a Praia do Pedrógão e Leiria serão muito importantes.
O desgaste acumulado, numa competição habitualmente disputada sob elevadas temperaturas, será um fator determinante para os candidatos ao triunfo, dois dias após a etapa rainha, a mais seletiva das 11 tiradas.
A sétima etapa (168 km), com partida em Idanha-a-Nova, apresenta o maior obstáculo da prova, a subida à Torre, no coração da Serra da Estrela. Para chegar ao 'teto' da Volta (1961 m de altitude), onde a meta coincide com contagem de montanha de categoria especial, é necessário 'escalar' 28,5 quilómetros desde Seia, com 5 por cento de inclinação média.
Quando ali chegarem, os corredores já terão passado pelo alto de Carrazedo, contagem de primeira categoria (11,7 km a 5,2 %) que promete fazer as primeiras mossas de um dia em que o grau de resistência também se mede pela capacidade de recuperação das duas jornadas anteriores.
Na véspera, a ligação entre Moimenta da Beira e Castelo Branco não apresenta dificuldades orográficas, mas será uma etapa previsivelmente quente e a mais longa de todas, com 221,1 quilómetros, um dia depois do 'sobe e desce' entre Fafe e Lamego (172,4 km), que proporciona mais uma das quatro chegadas em alto da Volta, embora de segunda categoria.
As outras acontecem antes do dia de descanso (09 de agosto). Na segunda etapa (Aveiro-Santo Tirso, 152,3 km), que culmina no alto de Nossa Senhora da Assunção, onde se jogam alguns segundos entre os favoritos, e na quarta (Barcelos-Mondim de Basto, 175,8 km), que termina na Senhora da Graça.
A tradicional subida de primeira categoria ao Monte Farinha (8,2 km a 7,7 %), antecedida pela do alto de Campanhó (13,1 km a 5,5 %), poderá definir, em véspera do dia de descanso, o camisola amarela da primeira fase da corrida, cujo primeiro líder será conhecido no prólogo de Viseu, um 'mini crono' à medida dos especialistas.
Os finalizadores mais velozes terão oportunidade para brilhar na primeira etapa (Gouveia-Oliveira de Azeméis), na terceira (Santo Tirso-Viana do Castelo), na sexta (Moimenta da Beira-Castelo Branco), na oitava (Oliveira do Hospital-Oliveira do Bairro) e na última (Sintra-Lisboa).
PA.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/fim