"É evidente que a Igreja apoia aqueles que promovem os valores do verdadeiro casamento e de uma família estruturada sobre o amor de um homem e de uma mulher", afirmou o padre Manuel Morujão, declarando que a Igreja "aplaude" por isso a iniciativa daquela plataforma.
O sacerdote salientou que "esta manifestação não é promovida pela Igreja", contudo, acrescentou, "os valores que ela defende são valores antropológicos verdadeiramente importantes para a família".
"Portanto, a Igreja alegra-se que haja cidadãos que promovem e participem nesta manifestação", disse.
Segundo a Plataforma Cidadania e Casamento, a iniciativa pretende mobilizar pessoas que "não aceitam que se decida o valor do casamento e os destinos da família, pondo em causa o futuro de gerações, sem haver um debate sério, com verdadeiro empenho em esclarecer todos e cada um dos portugueses".
A manifestação começa às 15:00 na praça Marquês de Pombal, descendo depois a avenida da Liberdade até à praça dos Restauradores, onde vai decorrer a "festa da família".
A organização convida os participantes a fazerem cartazes com inscrições como "Sou mãe graças ao pai do meu filho!", "Eu quero uma família verdadeira! Com pai e mãe" ou "O casamento não é uma questão de moda!".
A Plataforma Cidadania e Casamento promoveu uma petição, subscrita por mais de 90 mil, pela realização de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que foi entregue no Parlamento em janeiro.
A proposta de referendo, votada no plenário da Assembleia da República, foi chumbada pelos deputados dos partidos de esquerda, que paralelamente viabilizaram a proposta de lei do Governo para a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O porta-voz da CEP considerou na ocasião que a aprovação do casamento homossexual foi uma precipitação e que a ausência de um referendo sobre a matéria abriu uma "ferida democrática".
"Esta precipitação, pondo de lado o pedido de cerca de uma centena de milhar de cidadãos, e sobretudo em tão pouco tempo, belisca a qualidade da democracia", afirmou Manuel Morujão.
O responsável disse existir "uma certa ferida democrática em consequência de ter havido uma movimentação tão rápida de cidadãos" que "em pouquíssimas semanas se dinamizou a ponto de recolher quase uma centena de milhar de assinaturas para que pudesse haver um referendo".
SYR.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo ortográfico ***
Lusa/Fim