PSD: Rangel acusa Governo de ter agravado situação de Portugal nos mercados internacionais

"É fundamental que alguém diga aos portugueses que foi o Governo português, com o seu comportamento nestes quinze dias, com ameaças veladas de demissões, que contribuiu para que a nossa situação se agravasse profundamente nos mercados internacionais", declarou Paulo Rangel à agência Lusa.

"O agravamento nesta semana foi brutal. Isto tem de ser denunciado. Alguém tem de vir dizer que o Governo português é o grande responsável pela situação a que chegámos", reforçou.

Segundo o ex-líder parlamentar do PSD, "o Governo andou estes quinze dias, através do ministro Jorge Lacão, do ministro Teixeira dos Santos, de várias fontes nos jornais e de vários deputados, a criar uma crise política artificial, a fazer ameaças veladas de demissões de ministros ou do primeiro-ministro" e "a situação dos mercados é uma situação que se deve essencialmente a este desgaste político".

"A imagem que o Governo português nos últimos dias transmitiu aos observadores económicos internacionais e aos investidores foi uma imagem de irresponsabilidade. Isto é inaceitável. Não há um dia em que não haja notícias na imprensa internacional sobre Portugal e a instabilidade política que o próprio Governo está a fomentar", referiu Paulo Rangel.

De acordo com o eurodeputado do PSD, a situação de Portugal é agora "semelhante à da Grécia" e pode agravar-se ainda mais se o executivo não mudar de atitude: "Em vez de estar preocupado com a Lei de Finanças Regionais, o Governo deveria estar preocupado com a imagem que está a transmitir e com a desconfiança que está a passar aos mercados internacionais. Se não houver nenhum travão a esta estratégia e a estas declarações, a situação vai piorar mais nas próximas horas".

"Nós chegámos a uma situação extrema, uma situação que internacionalmente é insustentável, que põe Portugal em termos económicos e financeiros numa situação muito complicada, semelhante à da Grécia, e que se deve à total falta de sentido de Estado e à total irresponsabilidade do Governo português", considerou.

Questionado se no seu entender a possibilidade de demissão do primeiro-ministro é para ser levada a sério, Paulo Rangel respondeu: "Não sei se é para ser levada a sério, se não. O simples facto de haver ameaça já fez estragos tremendos. Estes quinze dias de irresponsabilidade acumulada tiveram efeitos graves".

IEL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

@ Agência Lusa

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