Mariana Tavares, da Secretaria de Direito Económico (SDE) do Ministério da Justiça, afirmou suspeitar de que os dois grupos estejam a concertar estratégias na corrida à Cimpor para evitar a entrada da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no mercado de cimento brasileiro.
"Temos a preocupação de que o suposto cartel de cimento no Brasil esteja a afastar uma empresa não-alinhada (a CSN) e queremos garantir condições iguais a todos e promover uma concorrência no setor", afirmou Mariana Tavares, secretária de Direito Económico.
A suspeita, disse, surgiu depois da Camargo e da Votorantim terem iniciado negociações com a cimenteira portuguesa, na sequência de uma recusa por parte dos acionistas da Cimpor da oferta da CSN.
"Quando vimos essa movimentação - com uma suposta tentativa de evitar a entrada de um novo concorrente por parte de dois grupos com participações no mercado - ficamos alertas", salientou.
A secretária suspeita de que a CSN esteja a ser barrada no processo por ser considerada "uma empresa não-alinhada" com os tradicionais fabricantes de cimentos no Brasil, como Votorantim, Camargo Corrêa e a própria Cimpor.
A entrada da CSN no mercado poderia levar à uma diminuição dos preços no mercado brasileiro, uma vez que a escória, um dos subprodutos da siderúrgica, é matéria-prima no fabrico de cimento.
"A nossa preocupação é garantir condições iguais a todos os concorrentes e a CSN, como um novo e agressivo produtor, poderia causar um impacto em todo o mercado", salientou.
A Votorantim controla cerca de 40 por cento do mercado brasileiro de cimento, enquanto a Cimpor e a Camargo Corrêa detêm uma cota de nove por cento, cada uma. A CSN tem uma fatia inexpressiva porque iniciou recentemente a sua produção.
MAN/RBV.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/fim.