O investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa rejeita as críticas do presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa à Organização Mundial de Saúde de que a gripe foi uma "falsa pandemia", "um dos maiores escândalos médicos do século" e que "custou muito dinheiro.
A 14 de Janeiro, Wolfgang Wodarg (médico alemão) já tinha apresentado uma moção para investigar se há conflitos de interesses entre a Organização Mundial do Saúde e as farmacêuticas, uma situação já negada pela OMS.
"Não existem falsas pandemias. Ou existe um vírus pandémico ou não. E, neste caso, é pandémico", diz o investigador à agência Lusa, considerando ainda que a "Organização Mundial de Saúde teve um desempenho exemplar".
Pedro Simas salienta que, "pela primeira vez, cientistas e comunidade médica conseguiram chegar aos governos e aos políticos e conseguiu-se um grande ensaio de uma epidemia".
Foi como um exercício "em função de uma epidemia global (pandemia), que felizmente não era muito virulenta", comenta.
O especialista em patogénese viral destaca os "pontos positivos" desta pandemia: por um lado não era muito virulenta e por outro a OMS teve uma reacção exemplar.
"Sabemos que, se vier um vírus pandémico outra vez, nós já temos capacidade de reação, porque está tudo implementado", comenta.
Relativamente às críticas sobre os investimentos feitos devido à pandemia, Pedro Simas afirma que "o excesso de vacinas ou medicamentos que possa haver é um efeito minoritário".
"É claro que há sempre quem beneficia de determinadas situações. Na guerra, há sempre pessoas que enriquecem e é natural que, numa situação pandémica, tenha havido indústrias que tenham beneficiado", mas "são efeitos colaterais que são inevitáveis", justifica.
No entanto, destaca, "foi um avanço enorme para a sociedade saber que conseguimos reagir bem. É uma coisa fantástica".
"Para mim, como investigador, a OMS teve um desempenho fantástico e não subscrevo em nada as críticas que têm sido feitas e que não levam a lado nenhum", afirma.
Pedro Simas ressalva que, quando o vírus é muito agressivo, "não há preparação possível", mas é importante as populações estarem preparadas para enfrentar uma epidemia.
Para o investigador, as campanhas de vacinação, a sensibilização dos governos e as campanhas de intervenção realizadas a nível da sociedade tiveram alguma influência na dispersão e disseminação do vírus.
"É muito difícil prever, agora, se as medidas tomadas foram efetivas. Foram efetivas de alguma forma, mas não se pode estabelecer correlações de que o vírus se tornou menos virulento" devido a elas, explica. Alerta ainda que podem surgir novas vagas epidémicas, porque "ainda não terminou a época sazonal".
A gripe A (H1N1) já causou a morte a 98 pessoas em Portugal e a 14 142 no mundo, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde.
HN
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Lusa/fim