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22 de Janeiro de 2010, 09:15

Cultura: Exemplar raro de Madame Bovary leiloado por 1200 euros no Porto

A obra tinha como preço base 50 euros e acabou por ser vendida por 1.200 euros, ao cabo de uma disputa intensa entre dois participantes.

O leilão atraiu quase 50 interessados ao Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim e um deles foi Sílvio Cervan, vice-presidente do Benfica, comentador do programa desportivo "Dia Seguinte", da SIC, e antigo dirigente do CDS-PP.

Cervan disse à Agência Lusa que uma das razões que o levou ali foi Vergilio Ferreira (1916-1996) e a obra A Face Sangrenta, de 1953, tendo pago por ela 340 euros.

"Este era um dos dois únicos livros que me faltavam para ter o Vergilio Ferreira todo em primeira edição", explicou.

Cervan frequenta leilões como este "há mais de 20 anos", afirmando tratar-se de uma "paixão" que o move "desde miúdo".

Almeida Garrett também faz parte das suas preferências e algumas obras deste escritor portuense do século XIX foram leiloadas, mas, neste caso, as coisas não correram tão bem a Cervan.

A sua esperança vira-se agora para a próxima sessão deste mega leilão organizado pela Livraria Manuel Ferreira, marcada para sábado.

Cervan concorda que Laureano Barros construiu uma biblioteca "fantástica", que alguns consideram, aliás, ser "uma das mais valiosas" do século XX a nível particular.

Na sessão de quinta-feira, foram leiloadas 371 obras de um total de 6.000, de autores tão diversos como Vergílio Ferreira, António Ferro, Tomaz Figueiredo, Manuel da Fonseca, Branquinho da Fonseca, Daniel Filipe ou Arnaldo Gama.

Entre os compradores estiveram livreiros e muitos bibliófilos, pessoas que fazem o que podem para comprar determinados livros, pagando por vezes pequenas fortunas por eles.

Cervan acredita que o grande vencedor da noite foi Mário Santos, um engenheiro que diz "representar firmas de aço" e aprecia "literatura portuguesa e histórica".

Mário Santos gosta de Garrett e Folhas Caídas era um dos seus alvos, mas o livro não foi a leilão.

"A obra que neste caso preferi licitar foi o Arco de Sant'Ana, do Almeida Garrett", explicou Mário Santos, que confessou participar neste tipo de eventos "há 36 anos".

O livro que Mário Santos comprou tinha como preço de partida "50 ou 60 euros", mas o engenheiro pagou por ele 575 euros e disse à Lusa que não sabe se é "um bom preço".

"Normalmente, um exemplar sem capas de brochura vale muito menos e este é um exemplar que tem capas de brochura e foi nessa medida que me atraiu. Foi um preço que seria acima do normal sem esse tipo de capas", especificou.

Questionado sobre os valores praticados no leilão, Mário Santos respondeu: "Há coisas que foram vendidas por um preço elevado e outras que foram baratas. Acho que não houve uma grande consistência, isto numa apreciação global".

Vários livros, romances e não só, foram licitados e vendidos a cinco euros, mas outros viram o seu preço inicial multiplicado várias vezes, caso de Vagão J, de Vergílio Ferreira, que começou em 10 euros e atingiu os 110 euros.

O licitador, Mário Costa, disse à Lusa não ser conhecido qual o montante apurado na iniciativa de quinta-feira à noite, sabendo-se, no entanto, que as 2.000 obras que foram a praça no primeiro leilão renderam cerca de 120 mil euros.

A última parte do leilão da biblioteca de Laureano Barros (1921-2008) conta obras de grandes vultos da literatura portuguesa como Teixeira de Pascoaes, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, José Cardoso Pires, Eça de Queiroz, Antero de Quental, José Régio, Aquilino Ribeiro, José Saramago, Jorge de Sena, Miguel Torga ou Cesário Verde.

AYM.

Lusa/fim

Agência Lusa

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