Lei do tabaco: "Absurdo e patético" acordo entre DGS e associação de discotecas - diz ABZHP

As discotecas consideradas como "estabelecimentos de bebidas destinados a dança" com menos de 100 metros quadrados podem permitir fumar em todo o espaço, desde que cumpram os requisitos de sinalização, ventilação e extracção de fumo.

A definição consta de um acordo assinado na semana passada entre a DGS e a AND.

Em declarações à Lusa, o presidente da ABZHP, António Fonseca, afirmou que este acordo é uma "farsa", uma vez que não traz nada de novo, já que a lei prevê esta possibilidade.

"Não faz sentido este acordo", disse, sustentando que o que "apareceu agora como algo de novo está explícito na lei".

"Nos estabelecimentos até 100 metros quadrados fumar ou não fumar é opcional", frisou.

Para António Fonseca, a notícia deste acordo só veio "originar confusão no sector".

"A lei já é bem clara quanto à sua aplicação nos bares e discotecas, por isso não faz sentido um acordo, até porque a DGS não pode fazer acordos à 'medida do freguês', mas sim agir em conformidade com o seu estatuto", acrescenta, em comunicado, a ABZHP.

António Fonseca salientou que a AND, ao passar a mensagem do acordo, "não só prejudicou as discotecas e bares como também mostrou que está no sector de forma submissa ao director-geral da Saúde, contribuindo com essa atitude para lançar a turbulência".

No comunicado, a associação critica ainda o director-geral da Saúde, Francisco George, afirmando que, face à aplicação da lei, "usa e abusa quer dos fumadores quer dos não fumadores".

Para o presidente da ABZHP, Francisco George "coloca em causa o regular funcionamento dos estabelecimentos, face às suas constantes intervenções caricatas em forma ditatorial com recados para a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica".

António Fonseca criticou o facto do director-geral da saúde ainda não ter respondido a um ofício enviado em 22 de Fevereiro.

Nesse documento, a ABZHP pretende que a direcção-geral da saúde se pronuncie sobre a possibilidade de se fumar em discotecas que se transformem em associações recreativas e culturais.

Lamentando ainda não ter obtido uma resposta por parte da DGS, a associação promete recorrer ao primeiro-ministro, José Sócrates, ao provedor da Justiça e outras entidades, "a fim de Francisco George pronunciar-se sobre o requerimento".

JAP/PL.

Lusa/fim

@ Agência Lusa

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