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26 de Fevereiro de 2008, 16:17

Lisboa/Radares: Comissão de acompanhamento vai analisar retirada em algumas vias e instalação noutras

As recomendações constam de um documento que Fernando Penim Redondo - promotor da petição que defende o aumento da velocidade máxima permitida pelos radares de 50 para 80 quilómetros/hora (km/h), que reuniu mais de 10 mil assinaturas - fez chegar segunda-feira à Câmara de Lisboa.

O responsável integra a comissão de acompanhamento criada para analisar os 21 radares instalados no ano passado em algumas vias da capital, cujos elementos deverão apresentar até quinta-feira os seus pareceres sobre eventuais alterações à distribuição actual dos equipamentos de controlo de velocidade.

No documento, a que a agência Lusa teve acesso, Penim Redondo propõe novas soluções e comenta as propostas da direcção municipal de Protecção Civil, Segurança e Tráfego.

O promotor da petição afirma concordar com a proposta da direcção municipal de retirada do equipamento na Avenida Marechal Spínola e na Avenida de Ceuta, por considerar que esta última via "tem um historial de acidentes relativamente insignificante".

Por outro lado, a sugestão de introdução de um radar na Avenida Gulbenkian - no sentido descendente - tem a concordância de Penim Redondo, que destaca a "óbvia perigosidade" da mesma.

Posição diferente tem o promotor quanto à proposta da direcção municipal de introdução de radares no Eixo Norte-Sul, já que o responsável considera que a instalação destes equipamentos não tem "utilidade", mas, "a existir, só com limites na ordem dos 90 km/h".

A retirada de radares é proposta na Avenida Marechal Spínola e à entrada do Túnel do Marquês na Avenida Fontes Pereira de Melo, por considerar que estes equipamentos são inúteis em "descidas pronunciadas", só servindo para "entupir o sistema de multas sem qualquer justificação".

Os radares no túnel da Avenida João XXI deveriam passar para a Avenida 24 de Julho, "onde o atravessamento é caótico" e ocorreram "43 atropelamentos" entre 2003 e 2206.

Solução semelhante é proposta para a Avenida Almirante Gago Coutinho pelo promotor da petição, que preferia ver os radares na Avenida Almirante Reis, onde nos mesmos anos aconteceram 27 atropelamentos.

Na Radial de Benfica, a recomendação passa pela retirada do equipamento que controla as faixas de saída da cidade (igualmente proposta pela direcção municipal), mantendo apenas o controlo nas faixas de entrada "para facilitar a transição entre a auto-estrada e a malha urbana".

Na sua proposta, Penim Redondo alerta que a Avenida Infante D. Henrique é uma via que "apresenta níveis de risco muito diferentes ao longo do seu trajecto", pelo que propõe tratamentos diferentes nos seus troços: a instalação de dois radares - também defendida pela direcção municipal - na zona entre a Praça do Comércio e Santa Apolónia; o aumento do limite para 80 km/h ou a sua deslocação para o troço anterior dos radares em funcionamento na zona entre Santa Apolónia e a Praça 25 de Abril - por aqui ser impossível o atravessamento de peões; e a imposição de um limite igual ou superior a 80 km/h até à Praça José Queiroz, por ter "perfil e intensidade de via rápida".

Nas avenidas Brasília e da Índia, Penim Redondo sugere o aumento para 80 km/h, por também aqui ser impossível o atravessamento, e concorda, nesta última, com a proposta de rotação do radar para controlar o tráfego que entra na cidade em vez do que sai.

Na Segunda Circular, o membro da comissão afirma concordar com a manutenção dos radares e propõe a instalações de dois novos.

No entanto, Penim Redondo discorda da proposta de instalação de um radar na Avenida Alfredo Bensaúde como medida dissuasora de demonstrações de "tunning", o que deveria antes ser feito através de um reforço policial.

Na sua proposta, o responsável critica uma sugestão do Automóvel Clube de Portugal (ACP) - outro elemento da comissão - de colocar "falsos radares" em algumas vias, "sob o pretexto de obter o mesmo efeito dissuasor com custos menores".

Para Penim Redondo, "qualquer acção que projecte uma imagem de falta de seriedade, tipo 'jogo do gato e do rato', terá um impacto negativo na opinião pública".

"Não implantar novos radares na cidade sem que os efeitos, positivos e negativos, dos 21 radares já adquiridos possam ser medidos e avaliados", afirma, recordando que "a Câmara de Lisboa, sem que tivesse feito estudos suficientes, adquiriu 21 radares e instalou-os em Julho de 2007".

"Agora não há outro remédio senão tentar usá-los da melhor forma possível", aponta.

Coordenada pelo vereador da Mobilidade, Marcos Perestrello (PS), a comissão integra o director municipal de Segurança e Tráfego, Fernando Moutinho, o comandante da Polícia Municipal, André Gomes, subcomissário Gancho da Divisão de Trânsito da PSP, o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Paulo Marques Augusto, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, Maranha das Neves em representação do Centro Rodoviário Português e Fernando Penim Redondo.

Os 21 radares da capital começaram a funcionar a 16 de Julho do ano passado e a comissão reuniu a 01 de Outubro depois de uma petição ter exigido a reformulação do sistema.

Os radares estão instalados nas Avenidas das Descobertas, da Índia, Cidade do Porto, Brasília, de Ceuta, Infante D. Henrique, Estados Unidos da América, Marechal Gomes da Costa e Gago Coutinho e nos Túneis do Campo Grande, do Marquês de Pombal e da Avenida João XXI - onde o limite de velocidade é de 50 quilómetros/hora - e ainda na Radial de Benfica, na Segunda Circular e no prolongamento da Estados Unidos da América, onde a velocidade máxima permitida é de 80 km/h.

A Polícia Municipal registou 261.728 infracções ao limite de velocidade entre Junho e Dezembro de 2007.

O radar que registou o maior número de infracções, até final de Dezembro, foi o que está instalado no túnel do Marquês no sentido Oeste-Este, com 60.860 transgressões ao limite de velocidade, que é de 50 quilómetros por hora naquele espaço.

JH/ACL.

Lusa/Fim

Agência Lusa

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