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Educação/Marcha: Mário Lino compreende descontentamento dos professores mas reformas são para avançar

08 de Março de 2008, 19:10

Coimbra, 08 Mar (Lusa) - O dirigente do PS Mário Lino disse hoje, em Coimbra, compreender o descontentamento dos professores, mas sublinhou que a avaliação dos docentes e a gestão das escolas são "reformas absolutamente necessárias", das quais o governo não abdica.

Ao intervir num plenário de militantes da Federação Distrital de Coimbra do PS, Mário Lino disse que "o governo não está disponível para abdicar" destas "reformas absolutamente necessárias para o país", embora esteja aberto "a melhorar, a alterar".

"Estamos sempre abertos, e a ministra já o disse, a melhorar, a alterar, que haja contribuições. O Ministério da Educação já fez mais de 100 reuniões com os sindicatos desde que esta discussão começou", frisou, sublinhando, contudo, que "melhorar não é parar".

Referindo-se à questão da avaliação dos docentes, Mário Lino reconheceu que "há muitos professores que estão descontentes com esta matéria".

"Compreendo perfeitamente esse descontentamento. Não me indigna esse descontentamento. Mas é preciso que fique claro uma coisa: temos hábitos enraizados, nesta matéria, muito grandes, e que não há reforma a sério que alguém possa fazer que não gere um grande descontentamento", disse ainda o ministro das Comunicações, Obras Públicas e Transportes, ao frisar que todas as profissões e actividades "têm de ser avaliadas".

Na sua intervenção no auditório do Instituto Português da Juventude, o membro da comissão nacional do Partido Socialista disse ainda que o governo não quer que "o Ministério da Educação, as escolas sejam afastadas dos professores".

"Mas não queremos que os sindicatos conduzam a política do ensino do país e que governem a escola no nosso país - esse é o caminho que tem sido seguido e que tem conduzido a péssimos resultados. O governo não está disponível para esse caminho - se há outros que estão, têm de ganhar as eleições e fazer essa política e assumir essa responsabilidade", vincou.

O membro do governo disse ainda que estas reformas consubstanciam "uma revolução que não é fácil" de executar, mas que se trata de políticas "da maior importância para o país" e que "já produziram resultados", nomeadamente com mais alunos no ensino secundário e na Universidade e a diminuição das taxas de abandono e insucesso escolar.

Mário Lino saudou ainda a sua colega com a pasta da Educação no governo, salientando que Maria de Lurdes Rodrigues que, "neste momento, precisamente para conduzir uma política que o governo considera da maior importância para o país, tem de enfrentar muitas dificuldades".

Fazendo um balanço dos três anos de governação, o dirigente socialista disse que se trata de "um governo de esquerda, uma esquerda democrática, moderna e que realiza aquilo que se propõe fazer e não um governo de uma esquerda retórica, proclamatória, caduca, que se estivesse no poder não faria outra coisa que não arrasar o país".

"É um governo que certamente não é perfeito, é um governo que certamente comete erros, mas é um governo que decide e que sabe que decidir é correr o risco de poder errar. Este governo assume que corre o risco de poder errar mas tem a humildade de emendar quando acha que há coisas que devem ser emendadas", sustentou ainda, adiantando que "só os burros é que não mudam".

O plenário foi inaugurado com uma intervenção do líder da Federação Distrital de Coimbra do PS, o deputado Victor Baptista.

MCS

Lusa/fim

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