Ao intervir num plenário de militantes da Federação Distrital de Coimbra do PS, Mário Lino disse que "o governo não está disponível para abdicar" destas "reformas absolutamente necessárias para o país", embora esteja aberto "a melhorar, a alterar".
"Estamos sempre abertos, e a ministra já o disse, a melhorar, a alterar, que haja contribuições. O Ministério da Educação já fez mais de 100 reuniões com os sindicatos desde que esta discussão começou", frisou, sublinhando, contudo, que "melhorar não é parar".
Referindo-se à questão da avaliação dos docentes, Mário Lino reconheceu que "há muitos professores que estão descontentes com esta matéria".
"Compreendo perfeitamente esse descontentamento. Não me indigna esse descontentamento. Mas é preciso que fique claro uma coisa: temos hábitos enraizados, nesta matéria, muito grandes, e que não há reforma a sério que alguém possa fazer que não gere um grande descontentamento", disse ainda o ministro das Comunicações, Obras Públicas e Transportes, ao frisar que todas as profissões e actividades "têm de ser avaliadas".
Na sua intervenção no auditório do Instituto Português da Juventude, o membro da comissão nacional do Partido Socialista disse ainda que o governo não quer que "o Ministério da Educação, as escolas sejam afastadas dos professores".
"Mas não queremos que os sindicatos conduzam a política do ensino do país e que governem a escola no nosso país - esse é o caminho que tem sido seguido e que tem conduzido a péssimos resultados. O governo não está disponível para esse caminho - se há outros que estão, têm de ganhar as eleições e fazer essa política e assumir essa responsabilidade", vincou.
O membro do governo disse ainda que estas reformas consubstanciam "uma revolução que não é fácil" de executar, mas que se trata de políticas "da maior importância para o país" e que "já produziram resultados", nomeadamente com mais alunos no ensino secundário e na Universidade e a diminuição das taxas de abandono e insucesso escolar.
Mário Lino saudou ainda a sua colega com a pasta da Educação no governo, salientando que Maria de Lurdes Rodrigues que, "neste momento, precisamente para conduzir uma política que o governo considera da maior importância para o país, tem de enfrentar muitas dificuldades".
Fazendo um balanço dos três anos de governação, o dirigente socialista disse que se trata de "um governo de esquerda, uma esquerda democrática, moderna e que realiza aquilo que se propõe fazer e não um governo de uma esquerda retórica, proclamatória, caduca, que se estivesse no poder não faria outra coisa que não arrasar o país".
"É um governo que certamente não é perfeito, é um governo que certamente comete erros, mas é um governo que decide e que sabe que decidir é correr o risco de poder errar. Este governo assume que corre o risco de poder errar mas tem a humildade de emendar quando acha que há coisas que devem ser emendadas", sustentou ainda, adiantando que "só os burros é que não mudam".
O plenário foi inaugurado com uma intervenção do líder da Federação Distrital de Coimbra do PS, o deputado Victor Baptista.
MCS
Lusa/fim