10 de Fevereiro de 2012, 16:45

Síria

Situação intensifica-se, mas NATO nega intenção de intervir

O Exército Síria Livre patrulha as ruas de várias cidades do Norte da Síria para proteger os civis da repressão militar violenta de Bashar al-Assad O Exército Síria Livre patrulha as ruas de várias cidades do Norte da Síria para proteger os civis da repressão militar violenta de Bashar al-Assad Imagem: AFP/ALESSIO ROMENZI

De Washington, à NATO, em Bruxelas, passando por Paris e Londres, os líderes ocidentais não deixam de tecer críticas em relação ao regime de Bashar al-Assad, mas descartam qualquer hipótese de intervenção militar.

"Deixe-me ser claro: A Síria não está na agenda da NATO. Nós não temos a intenção de intervir na Síria", afirmou Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da organização, esta sexta-feira, à televisão turca NTV.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, fez declarações semelhantes, apesar dos pedidos de ajuda de vários opositores ao regime sírio e de alguns republicanos – como o senador John McCain - pedirem o fornecimento de armas ao Exército Livre da Síria.

Os líderes europeus, que tomaram a iniciativa de intervir na Líbia, preferem concentrar-se no reforço das sanções, apresentadas como o meio mais eficaz para derrubar o presidente sírio.

O recurso à NATO irritaria a Rússia e também a China, países que continuam a afirmar que a intervenção na Líbia ultrapassou a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU )que abordava apenas a questão da proteção dos civis.

A oposição síria deseja, no mínimo, a abertura de "corredores humanitários" junto à fronteira turca, mas as discussões sobre a segurança no local não avançam.

Além da dimensão diplomática, especialistas alertam para a complexidade de se iniciar uma operação armada na Síria. "A Síria não é a Líbia. Apesar de ser geograficamente mais vasta, a Líbia é essencialmente um país vazio com uma pequena população e recursos militares muito limitados", ressalta Aram Nerguizian, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), citado pela AFP.

Em termos populacionais, a Síria é mais densa – as estimativas de 2008 apontam para uma população de quase 20 milhões -, tem grandes centros urbanos e possui um exército de 400 mil homens, com forte armamento militar.

Uma operação militar no local, mesmo que limitada, poderia facilmente saltar fronteiras, com o envolvimento de aliados fiéis ao regime de Bashar al-Assad, como  o Hezbollah, o Irão e a Rússia.

"A determinação do Irão em manter vivo o regime de Assad não pode ser questionada", explica David Robert, do RUSI, um instituto britânico independente sobre Segurança e Defesa, à AFP.

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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