03 de Maio de 2012, 09:28

ONU coloca "Primavera Árabe" no centro do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Um dos temas fortes em discussão é o problema da segurança dos jornalistas e dos cidadãos repórteres Um dos temas fortes em discussão é o problema da segurança dos jornalistas e dos cidadãos repórteres Imagem: AFP/SIA KAMBOU

“A mudança no mundo árabe demonstrou o poder da combinação das aspirações pelos direitos com os 'media' tradicionais e os novos 'media'. A reencontrada liberdade dos 'media' promete transformar sociedades através da transparência e responsabilidade”, escrevem o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, numa mensagem conjunta destinada a assinalar o dia.

O papel do jornalismo cidadão e das redes sociais dão precisamente o mote ao tema escolhido pela Unesco para a conferência internacional anual deste ano sobre a liberdade de imprensa: “Novas vozes: Liberdade dos 'media' em benefício da transformação das sociedades”.

Já a cidade escolhida pelas Nações Unidas para a realização do evento, que decorrerá entre quinta-feira e sábado, foi Tunes, a capital da Tunísia, o país onde teve início a Primavera Árabe em dezembro de 2010, propagando-se em seguida ao Egito, Bahrein, Marrocos, Líbia, Iémen e Síria, com intensidades diferentes.

A dificuldade no acesso a informação de qualidade, quer por falta de meios tecnológicos adequados, quer pela inexistência de infraestruturas de informação e de deficientes níveis de literacia dos “novos jornalistas” em vários destes novos “teatros” noticiosos será também debatida na conferência de Tunes.

Outro dos temas fortes em discussão é o problema da segurança dos jornalistas e dos cidadãos repórteres, nestes novos contextos mediáticos.

A UNESCO chama ainda a atenção para o número crescente de mortes de jornalistas em resultado do seu trabalho. A organização condenou em 2011 a morte de 62 jornalistas, que, sublinham Ban Ki-moon e Irina Bokova no mesmo texto, “não devem ser esquecidos e os crimes [de que foram vítimas] não devem permanecer impunes”.

“À medida que os 'media' se movem para o suporte ‘online’, mais jornalistas ‘online”, incluindo ‘bloggers’, são assediados, atacados e mortos em resultado do seu trabalho. [Estes profissionais] têm que receber a mesma proteção que os trabalhadores tradicionais dos 'media'”, defendem os dois responsáveis das Nações Unidas.

Ban Ki-moon e Irina Bokova terminam a mensagem conjunta com um apelo a todos os países, aos órgãos de comunicação social e às organizações não-governamentais em todo o mundo para se unirem na “promoção da liberdade de expressão ‘online’ e ‘offline’, no respeito dos princípios internacionalmente aceites”.

“Este é um pilar dos direitos individuais, uma fundação para sociedades saudáveis e uma força para a transformação social”, concluem Ban Ki-moon e Irina Bokova.

SAPO

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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