10 de Fevereiro de 2012, 10:43

Síria

Ofensiva estende-se a Aleppo enquanto bombardeamentos em Homs seguem pelo sétimo dia consecutivo

"Homs parece uma cidade fantasma", diz Rami Abdel Rahman "Homs parece uma cidade fantasma", diz Rami Abdel Rahman Imagem: AFP

"Os tanques entraram no bairro de Inshaat durante a noite", disse Rami Abdel Rahman, chefe do Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma organização sediada no Reino Unido, à AFP.

Inshaat fica nas imediações de Baba Amr, o centro da contestação civil na província de Homs e que foi desmobilizado na ofensiva de sete dias realizada na última semana pelas forças do regime que mutilaram e mataram mais de 500 pessoas, deixando feridas outras 600, segundo testemunhos locais citados pela Al Jazeera.

Só na última noite, 100 pessoas terão sido mortas em Homs, onde o governo insiste em bombardear zonas residenciais.

Na noite de terça para quarta-feira, três famílias foram degoladas nas suas casas no bairro de Bab Amr, garantiram ativistas à estação de televisão árabe.

Rami Abdel Rahman diz que Homs é, neste momento, "uma cidade fantasma".

Explosões em Aleppo

Hoje, duas explosões sacudiram Aleppo, a segunda maior cidade do país, localizada no Norte da Síria, e a mais ativa zona comercial, provocando 25 mortos e 175 feridos, entre civis e militares, indicou o ministério da Saúde sírio, segundo a televisão pública. Testemunhas locais falam em três rebentamentos nos bairros de Sakhur, Marjeh e Dawar el-Basel.

As explosões atingiram dois edifícios militares. 

Desde o início dos protestos, Aleppo tinha passado incólume aos tumultos que têm marcado algumas cidades sírias desde março.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descreveu na quinta-feira a situação em Homs como um “ultrajante banho de sangue”.

Num comentário proferido durante a receção do primeiro-ministro italiano, Mário Monti, na Casa Branca, Obama reiterou o seu pedido a Bashar al-Assad para que abandone o poder.

“Temos um grande interesse no fim deste ultrajante banho de sangue e assitir à mudança do atual governo que tem flagelado a sua população”, afirmou Obama.

Hillary Clinton informou recentemente que os Estados Unidos estão em conversações com os aliados europeus e com a Liga Árabe para a inauguração da organização “Amigos da Síria” na tentativa de explorar formas de impedir Assad de permanecer no poder.

A Síria continua a restringir o acesso ao país a órgãos de comunicação e a cidadãos estrangeiros, o que impede a obtenção de um número de vítimas imparcial.

Chefe da diplomacia europeia pede saída de Assad da Síria

Catherine Ashton, chefe da diplomaria europeia, condenou ontem a "violência extrema" exercida pelo governo sírio contra os civis e disse que Bashar al-Assad deve abandonar a liderança do país.

Ashton, que está no México em visita oficial, classificou a situação  que se vive na Síria como uma "grande tristeza". 

A dirigente europeia acrescentou "um líder deve sair se é um problema e não parte da solução".

Notícia atualizada às 11h55

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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