"Os tanques entraram no bairro de Inshaat durante a noite", disse Rami Abdel Rahman, chefe do Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma organização sediada no Reino Unido, à AFP.
Inshaat fica nas imediações de Baba Amr, o centro da contestação civil na província de Homs e que foi desmobilizado na ofensiva de sete dias realizada na última semana pelas forças do regime que mutilaram e mataram mais de 500 pessoas, deixando feridas outras 600, segundo testemunhos locais citados pela Al Jazeera.
Só na última noite, 100 pessoas terão sido mortas em Homs, onde o governo insiste em bombardear zonas residenciais.
Na noite de terça para quarta-feira, três famílias foram degoladas nas suas casas no bairro de Bab Amr, garantiram ativistas à estação de televisão árabe.
Rami Abdel Rahman diz que Homs é, neste momento, "uma cidade fantasma".
Explosões em Aleppo
Hoje, duas explosões sacudiram Aleppo, a segunda maior cidade do país, localizada no Norte da Síria, e a mais ativa zona comercial, provocando 25 mortos e 175 feridos, entre civis e militares, indicou o ministério da Saúde sírio, segundo a televisão pública. Testemunhas locais falam em três rebentamentos nos bairros de Sakhur, Marjeh e Dawar el-Basel.
As explosões atingiram dois edifícios militares.
Desde o início dos protestos, Aleppo tinha passado incólume aos tumultos que têm marcado algumas cidades sírias desde março.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descreveu na quinta-feira a situação em Homs como um “ultrajante banho de sangue”.
Num comentário proferido durante a receção do primeiro-ministro italiano, Mário Monti, na Casa Branca, Obama reiterou o seu pedido a Bashar al-Assad para que abandone o poder.
“Temos um grande interesse no fim deste ultrajante banho de sangue e assitir à mudança do atual governo que tem flagelado a sua população”, afirmou Obama.
Hillary Clinton informou recentemente que os Estados Unidos estão em conversações com os aliados europeus e com a Liga Árabe para a inauguração da organização “Amigos da Síria” na tentativa de explorar formas de impedir Assad de permanecer no poder.
A Síria continua a restringir o acesso ao país a órgãos de comunicação e a cidadãos estrangeiros, o que impede a obtenção de um número de vítimas imparcial.
Chefe da diplomacia europeia pede saída de Assad da Síria
Catherine Ashton, chefe da diplomaria europeia, condenou ontem a "violência extrema" exercida pelo governo sírio contra os civis e disse que Bashar al-Assad deve abandonar a liderança do país.