Os bairros rebeldes da cidade de Homs foram bombardeados esta quinta-feira pelas forças do regime sírio. No bairro de Baba Amr, o alvo principal, as comunicações chegaram a ser cortadas.
"Baba Amr, assim como parte do bairro de Inchaat, foram bombardeados a partir das 7h00 da manhã (hora local). Disparos de morteiros atingiram Khaldie", contou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
"Ouvimos explosões muito fortes", disse Hadi Abdallah, um membro local da Comissão Geral da Revolução Síria. "Hoje não conseguimos comunicar com os nossos membros, nem através de Skype nem com o telefone por satélite", completou.
O 20º dia de bombardeamentos acontece após a morte de dois jornalistas estrangeiros. Marie Colvin, repórter do Sunday Times, e o francês Rémi Ochlik, fotógrafo da agência IP3 Press, foram mortos ontem num ataque armado a uma casa que funcionava como centro de imprensa. "Acreditamos que o centro foi tomado como alvo porque 11 projéteis caíram sobre a casa ou nos arredores. As forças do regime captaram um sinal de transmissão", declarou ontem Abdallah.
A ONU estima que mais de seis mil pessoas tenham morrido na Síria desde o início dos tumultos, em março de 2011.
"Governo sírio cometeu crimes contra a humanidade", diz ONU
O governo sírio fracassou na proteção do seu povo, denunciou hoje o Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Síria. "Desde novembro de 2011, as forças sírias cometeram sérias e sistemáticas violações dos direitos humanos", afirma a equipa de observadores num relatório onde conta com mais de 130 testemunhos de vítimas da violência do regime desde novembro.
A comissão concluiu que as forças de segurança sírias cometeram crimes contra a humanidade na repressão violenta da revolta no país. Segundo o documento, mais de 500 crianças morreram desde o início dos tumultos. A ONU estima que mais de seis mil pessoas, na maioria civis, tenham morrido no país desde o início das revoltas, em março de 2011.
Comunidade internacional tenta pressionar a Síria
Representantes de mais de 50 países reúnem-se amanhã na Tunísia para pressionar o regime sírio a parar com a violência e a criar uma "zona protegida" no país. Os chefes da diplomacia dos países da Liga Árabe, da União Europeia e dos Estados Unidos vão estar presentes no encontro bem como o Conselho Nacional Sírio (CNS).
"Trata-se de exercer o máximo de pressão" sobre o regime de Bashar al-Assad, disse o ministro tunisiano das Relações Exteriores, Rafik Abdelsalem. Bashar insistiu na ideia de que o encontro não tem como objetivo abordar uma intervenção estrangeira no país, opção amplamente rejeitada até agora. A oposição síria, que também vai estar presente no encontro, espera obter uma maior "ajuda humanitária e a criação de uma zona de proteção dentro da Síria".
A Rússia, principal apoiante do regime de Damasco, não vai estar presente no encontro. A China, que juntamente com a Rússia vetou uma uma resolução no Conselho de Segurança da ONU de condenação da repressão, ainda não confirmou a representação na reunião de amanhã.