Adlene Hicheur tinha sido preso em 2009 depois da polícia ter intercetado contactos com a Al-Qaeda por email. As trocas de correspodência eletrónica com um alegado membro da organização terrorista no Magrebe islâmico, sugeriam que o físico argelino estaria disposto a fazer parte de uma célula terrorista que tinha como objetivo atacar cidades francesas.
Os serviços secretos franceses intercetaram 35 e-mails enviados entre Hicheur e Mustapha Debchi. Durante 18 meses o cientista esteve sob vigilância das autoridades francesas. Os investigadores alegaram que os homens usavam pseudónimos e discutiam possíveis "alvos militares e políticos para punir governos" na Europa, em especial a França.
Mustapha Debchi terá mesmo tentado convencer o cientista a levar a cabo um ataque suicida. Segundo as autoridades, Hicheur recusou mas sugeriu atacar soldados na região francesa de Cran-Gevrier.
No início do julgamento, o cientista de 35 anos admitiu que atravessava um momento psicologicamente "conturbado" na sua vida quando escreveu os e-mails, mas negou sempre a intenção de realizar qualquer ataque. O juiz considerou, no entanto, que o suspeito foi "desviado pela causa do radicalismo islâmico". Segundo Guillaume Portenseigne, Hicheur só precisava de um "encontro marcante" para passar a ações terroristas concretas.
Os advogados de defesa argumentaram que o físico nunca tinha feito parte de nenhuma organização deste tipo e que os recentes ataques terroristas na França prejudicaram o caso. Patrick Baudouin descreveu o veredito como "escandaloso". "Tudo foi feito para o demonizar", disse.
Hicheur passou dois anos e meio na prisão enquanto aguardava julgamento. Logo após a sua detenção, a polícia encontrou uma grande quantidade de literatura islâmica na casa dos seus pais. O físico de partículas estudava as origens do universo no CERN.