Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura continuam firmes na posição de não realizar o desfile de Carnaval com os alunos e afirmam que apenas voltarão atrás caso sejam « terminantemente obrigados» pela DREN.
Um professor contactado pela Agência Lusa declarou que os docentes têm «fortes razões» para não realizar o desfile. « Quando tomámos a decisão de não participar no desfile, não o fizemos de ânimo leve», afirmou.
Acrescentou que os docentes "só cederão se a isso forem terminantemente obrigados pela DREN [Direcção Regional de Educação do Norte] e se sentirem que em causa poderá estar o lugar da presidente do Conselho de Executivo", Cecília Terleira.
Uma fonte autárquica disse hoje à Lusa que, perante a recusa dos professores, a DREN estará a equacionar a hipótese de enviar, sexta-feira, "uma ou duas equipas" para Paredes de Coura, que se encarregariam de levar os alunos para o desfile.
Esta garantia, aliás, já terá sido dada aos próprios pais e encarregados de educação, que também reuniram na noite de quarta-feira "de emergência", para decidir o que fazer para que os alunos não ficassem privados do desfile.
"A reunião acabou praticamente por quase não ser necessária, porque antes de começar já tínhamos a confirmação, embora oficiosa, de que vai mesmo haver desfile", disse, à Lusa, o porta-voz dos pais, Eduardo Bastos, que têm manifestado discordância com a decisão dos professores que consideram lesiva do interesse dos alunos.
Entretanto, os professores sustentam que, se forem ao desfile, "irão contrariados e em solidariedade com a presidente Cecília Terleira".
Contactada pela Lusa, a responsável escusou-se a fazer qualquer declaração, alegando ter sido "proibida de falar" pela responsável da Equipa de Apoio às Escolas de Viana do Castelo.
O desfile de Carnaval pelas ruas da vila de Paredes de Coura dos alunos do agrupamento estava previsto para sexta-feira, mas os professores, em reunião do Conselho Pedagógico, decidiram cancelá-lo, alegando falta de tempo para o preparar.
Os docentes queixam-se que estão "atafulhados" de trabalho, designadamente com os processos de eleição do Conselho Geral e do director do agrupamento, as provas assistidas e a avaliação do desempenho, e ainda as provas de aferição e exames nacionais.
"Tínhamos 174 actividades programas, e apenas suspendemos três a quatro por cento. Mantivemos todas as que são cumpridas dentro do horário normal dos professores. O tempo não chega para tudo. Os professores não têm o dom da ubiquidade", disse à Lusa um docente.
Terça-feira, a DREN enviou um e-mail ao agrupamento, assinado pela directora regional, Margarida Moreira, determinando a realização do desfile. Margarida Moreira sustenta que as actividades de Carnaval fazem parte do Projecto Educativo e do Plano de Actividades do agrupamento e sublinha a sua importância para a escola "cumprir a sua missão de processos de socialização e de aprendizagem para os alunos".
Quarta-feira, responsáveis da DREN deslocaram-se ao agrupamento para tentar "convencer" os professores a realizarem o desfile, mas sem sucesso.
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