22 de Janeiro de 2009, 11:58

Referendo em Viana do Castelo: População motivada mas ainda com dúvidas

No domingo, os 88.105 eleitores do concelho de Viana do Castelo são chamados às urnas para decidir sobre a integração ou não do município na Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima.

Na freguesia de Serreleis, que foi também o "berço" dos referendos locais, a população garante que vai votar, mas confessa ter ainda "muitas dúvidas" sobre a questão a referendar, queixando-se mesmo de falta de informação.

"O que está em causa? Sei que é Viana do Castelo que é um grande município e que querem fazer dele um município pequeno, à vista dos outros que se querem aliar às intermunicipais", arrisca Maria José, de 53 anos.

"O que eu entendo é que, se calhar, isto não está a ser muito bem divulgado e o que acontece é que os eleitores vão uns atrás dos outros. Temos o dever cívico de votar, mas quando não estamos bem informados vamos um bocadinho na onda. E esse é, também, o meu caso", refere, por seu lado, Eusébio Amaro, de 45 anos.

João Felgueiras da Costa, 70 anos, já decidiu em quem vai votar, mas sobre o assunto pouco ou nada sabe.

"Olhe, vou votar naquilo que me disseram que é bom para Viana, sei lá", atira.

Com 47 anos, Maria do Nascimento também já tem uma "inclinação" de voto para aquele que classifica como o "referendo do sim e do não".

"Pelo que ouvi dizer, é sobre a Comunidade aqui em Viana, para os nossos dinheiros não irem para fora. Há tanta coisa que se fala por aí. Eu gostava que todos os concelhos vivessem bem, mas também não gostava que os nossos dinheiros fossem para outros concelhos que às vezes nem os aproveitam. A gente nem sabe se há-de votar sim ou se há-de votar não", confessa.

Actualmente com 998 eleitores inscritos, a freguesia de Serreleis foi palco, a 25 de Abril de 1999, do primeiro referendo local do País, para decidir sobre a localização de um polidesportivo.

A Junta queria o equipamento nas traseiras do Salão Paroquial, perto da igreja paroquial, mas o pároco não concordava, alegando que poderia perturbar o normal funcionamento dos actos de culto.

A população aflui em massa às urnas, tendo votado 726 dos 947 eleitores então inscritos na freguesia, o que deu uma taxa de abstenção de apenas 23,33 por cento.

Por 15 votos de diferença, venceu a tese do pároco, e o polidesportivo acabou por ser construído a escassos metros do local da discórdia, tendo sido inaugurado a 25 de Abril de 2005.

Em Portugal já se realizaram mais quatro referendos, um local e três nacionais, mas em nenhum deles o resultado foi vinculativo, o que só acontece quando votam mais de 50 por cento dos eleitores inscritos.

No referendo sobre a regionalização, abstiveram-se 51,88 por cento dos eleitores, enquanto que nos dois referendos sobre o aborto as taxas de abstenção foram de 68,11 e de 54,46 por cento, respectivamente.

No referendo local realizado em Tavira, em que os eleitores das nove freguesias do concelho foram chamados a pronunciar-se sobre se concordavam com a demolição do antigo reservatório de água do Alto de Santa Maria, a abstenção atingiu os 63,8 por cento.

SAPO/Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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