17 de Outubro de 2008, 12:00

A festa de Carlos do Carmo no Pavilhão Atlântico

Carlos do Carmo«Lisboa Oxalá», do último álbum, À Noite, abriu o espectáculo que, logo após a segunda música, «Nasceu Assim, Cresceu Assim», recebeu o primeiro convidado. A jovem fadista Carminho, que já havia aparecido no filme «Fados» mas que ainda não tem nenhum registo discográfico em nome próprio, lançou-se de corpo e alma a este desafio e mostrou que a idade não é um obstáculo no fado.

Outro obstáculo, o da nacionalidade, foi também quebrado pela convidada seguinte, Maria Berasarte. A cantora (ou será melhor dizer já fadista?) basca vai editar um álbum com fados tradicionais no próximo ano e já conta com a «bênção» de Carlos do Carmo. Maria Berasarte, convenceu com a sua interpretação particular da música lisboeta, sem negar no entanto as suas origens.

A interpretação de «Os Putos» abriu então o palco para aqueles que já são, sem sombra de dúvidas, as mais recentes consensuais figuras do fado português. Em primeiro lugar Camané, que pegou na palavra passada por Carlos do Carmo e se lançou na interpretação de «Mais um Fado no Fado». Depois, «Sei de um Rio» e «Saudades Trago Comigo», sempre no seu característico tom contido de intensidade, marcaram a sua presença muito aplaudida no espectáculo. Mariza confirmou o estatuto que já todos sabem ter alcançado. «Rosa Branca» e, como não podia deixar de ser, «Ó Gente da Minha Terra», receberam aplausos de pé. E não lhe pode ser negado o mérito.

Com a entrada do neto Sebastião para acompanhar, na guitarra, a interpretação de Carlos do Carmo da música que melhor o caracteriza, «Um Homem na Cidade», assistiu-se ao melhor momento da noite. E passou-se, literalmente, para o «serão em família» que já se adivinhava desde o início com todos os convidados acarinhados. E que se confirmou com a entrada do filho Gil do Carmo, mas mais ainda com o dueto, ainda que sem ser físico, entre Carlos do Carmo e a sua mãe, Lucília do Carmo.

O momento protocolar com o presidente da Câmara de Lisboa, e com o Presidente da Voz do Operário, associação para quem revertiam as receitas do espectáculo, tornou-se mais um momento de corte do ritmo da noite mas, em noite de homenagem, é compreensível.

A partir daí, o espectáculo, ainda que com a presença sempre bem-vinda da Orquestra Sinfonieta de Lisboa e com a participação ao piano de Bernardo Sassetti, foi apenas de Carlos do Carmo. O aniversariante interpretou os seus maiores êxitos, desde «Por Morrer uma Andorinha» a «Canoas do Tejo», voltando ao palco para cantar «Gaivota» e «Bairro Alto».

Uma noite de festa, que, na primeira parte, contou com maior participação dos convidados do que do próprio Carlos do Carmo, o verdadeiro motivo da festa. Um pormenor naquela que foi a homenagem merecida a uma das principais figuras da música portuguesa e que celebrou da melhor forma os seus 45 anos de carreira, que parecem ser bem mais. O que o próprio Carlos do Carmo confirmou, referindo-se a tudo o que se passou nestas décadas: «45 anos é como se fossem 200».

Frederico Batista

Site de Carlos do Carmo

Entrevista a Carlos do Carmo

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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