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11 de Junho de 2012, 10:33

Apaixonado por miniaturas fez linha de comboio no próprio quintal

Foto: Lusa/Estela Silva

Aos 84 anos, este reformado da agricultura trabalhou desde agosto de 2011 para concluir a linha de 530 metros em que circula com uma “cópia fiel da primeira locomotiva a ‘diesel’ que veio para Portugal, em 1947 ou 1948", e na qual se senta para conduzir alunos de escolas de todo o país pelo percurso que inclui cinco pontes e dois túneis, um com 17 metros, outro com doze.

Para além de milhares de miniaturas tradicionais, facilmente confundíveis com brinquedos, Bernardino Ribeiro encanta tanto os mais novos como "convenções de médicos", que na sua Casa da Aldeia, em Valadares, o veem tomar as rédeas da locomotiva com cerca de um metro de altura.

"Há três ou quatro anos, comecei a ouvir falar em comboios tripulados", disse à Lusa, pelo que rumou a Espanha "duas ou três vezes" e veio de lá com "o bicho", que hoje em dia percorre um trajeto que começa e termina numa réplica à escala da estação de Valadares.

Num tom quase apologético, Bernardino Ribeiro diz à Lusa que só pretendia "montar uma coisa pequena", mas depois "fez-se mais isto, mais aquilo" e acabou por ter de contratar um serralheiro e dois homens para o ajudar a nivelar o terreno, que "não pode ultrapassar inclinações superiores a cotas de 1,5%".

"O interesse começou há bastantes anos, quando eu era miúdo", confidenciou à Agência Lusa, contando que trabalhava em campos à beira da linha de Valadares, para ingressar depois no colégio de General Torres, também nas imediações de uma estação ferroviária, pelo que ficou "com o gosto dos comboios."

"Quando o meu filho nasceu, comprei em Espanha um comboio pequeno. Mas eu é que brincava com ele", recordou.

Bernardino Ribeiro foi "um dos primeiros produtores de kiwis no país e dos primeiros a exportá-los para a antiga CEE, em 1981 e 1982", e assim que se reformou voltou à paixão antiga pelos comboios em miniatura e montou várias maquetas.

A mais recente está em exposição numa das assoalhadas da quinta e impressiona pela dimensão de dez metros quadrados, mas também pelos detalhes milimétricos de cada casinha, carruagem, linha de alta tensão ou arbusto, reveladores de uma paixão que contagia quem observa o pequeno universo que construiu e eletrificou.

Entretanto, Bernardino Ribeiro foi "conseguindo peças dos comboios reais em estações, sucateiras, nas feiras, onde pudesse" e transformou toda a quinta numa exposição permanente da história dos caminhos-de-ferro portugueses, pela qual não cobra bilhete, ainda que aceite e agradeça marcações para as visitas e donativos, "nem que seja de um euro", para ajudas de manutenção.

"Só tenho uma certa pena de não ter ainda uma máquina a vapor, mas vou arranjá-la", promete este chefe da estação da própria casa, para quem a linha que montou acaba por ser um modo de preservar a "casa agrícola com mais de 300 anos que sempre foi da família".

"Isto serve também para dar vida a esta casa quando eu já não andar por aí", diz à Lusa, "não gostava que ficasse abandonada quando eu fosse para os anjinhos".

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@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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