10 de Junho de 2012, 12:03

Milhares de manjericos produzidos "de sol a sol" para todo o país

Foto: Lusa/José Coelho

O autarca Joaquim Araújo, de 48 anos, não tem mãos a medir em junho à custa do manjerico, a erva aromática que está incontornavelmente ligada ao Santo António, S. João e S. Pedro, cujos festejos se celebram um pouco por todo o país.

A produzir manjericos há 18 anos, numa exploração de dois campos que totalizam cerca de sete mil metros quadrados, em Pedrouços, Joaquim Araújo trabalha nesta época do ano “de sol a sol”.

E quem entra num campo de Joaquim Araújo vê longas fileiras de manjericos, de diferentes tamanhos e cores – verde e roxo -, sentindo o aroma desta planta que, de afrodisíaca a ornamental, não é nada fácil de produzir.

“É muito trabalhoso” e “cansativo”, confessa à Lusa Joaquim Araújo, que até ao dia 23 vai tirar da terra entre “30 mil a 40 mil manjericos” para venda nacional.

Mas para que em junho os milhares de manjericos estejam “lindos e cheirosos”, o autarca dá início à produção em finais de fevereiro, semeando em viveiro.

Em abril, quando os pés da planta já atingem entre cinco e oito centímetros de altura, e depois de uma luta contra as “infestantes que os tentam dominar”, Joaquim transfere-os para a terra, “com bastante raiz e espaço entre eles, para se desenvolverem bem”.

O trabalho intensifica-se cada vez mais e o autarca chega a contar com dez ou mais trabalhadores no terreno.

“É uma correria, quer no campo quer na distribuição”, porque o trabalho tem de ser feito “num curto espaço de tempo”, disse.

Apesar da crise, o produtor acredita na venda desta conhecida “erva dos namorados”, cujo preço varia consoante o tamanho, mas que pode atingir os 10 euros.

“Gosto do que faço e gosto da planta em si, porque é uma planta que transmite alegria”, confessa, afirmando que, além do negócio “rentável”, tem muito gosto em “manter a tradição, saber que vai alegrar muita gente”.

Em todo este processo, Joaquim Araújo não esquece as quadras, que tem sempre “algum picantezinho” para animar a festa e ajudar a “conquistar as meninas”.

O manjerico “é afrodisíaco e pelos vistos a oferta (à amada) pode ajudar. Os ares (das festas dos santos populares) e os manjericos são matreiros”, gracejou.

“Não tenho mais que te dar/Nem tu mais que pedir/Aqui tens o meu coração/E a chave pró abrir”, “Sou a fonte vadia/De um São João profundo/Que mata a sede à folia/Da maior noite do mundo” e “Amor não tenhas ciúme/Se com outras eu vou bailar/Pois só ando a arranjar lume/Para o nosso fogo atear” são algumas das quadras que saem já espetadas nos vasos de barro dos seus manjericos namoradeiros.

É que, assegura, “um manjerico com uma boa quadra é meia conquista feita”.

E é esta a planta aromática que, terminada a época dos santos, em “condições ótimas” - água, luz, humidade e temperaturas amenas -, “aguenta até ao Natal”.

O manjerico pode também ser utilizado como condimento, embora em Portugal seja pouco comum (ao contrário do seu parente manjericão) e é ainda referenciado como sendo um excelente repelente de insetos.

@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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