
Paolo Pinamonti, o responsável artístico do Terras sem Sombra, é conhecido pela inteligência com que põe em diálogo, de modo sensível, grandes compositores do passado e do presente. Propõem assim, com este concerto, uma longa viagem entre um mestre genial da polifonia renascentista e algumas das mais belas páginas da criação contemporânea.
Tenebræ, trevas em latim, é o nome da cerimónia litúrgica celebrada nas últimas três noites da Semana Santa. Nesta celebração, a igreja encontrava-se apenas iluminada por velas, que iam sendo apagadas após cada leitura, até ao mergulho total nas trevas, símbolo da ignorância e momento de introspeção. Serão as notas do Príncipe de Venosa, Gesualdo da Venosa, compositor do séc. XVI, que irão dar vida a esta encenação, numa obra escrita em 1611, composta por 9 responsórios.
Passados quatro séculos, este tema permanece, nas Sieben Passions-Texte, peças compostas entre 2001 e 2006 por Wolfgang Rihm [1952-], um dos mais importantes compositores alemães da atualidade. Tenebræ factæ sunt e Tristis est anima mea descrevem, de modo sensorial, os últimos momentos de Cristo na cruz.
O agrupamento de vozes italiano, interpretará ainda o Responsorio delle tenebre, escrita em 2001 pelo compositor Salvatore Sciarrino [1947-], peça onde a perfeição imaculada (cantochão) é afetada pela imperfeição humana (música abstrata), como descreve o maestro Filipe Carvalheiro.
Da Estónia até ao Alentejo viaja ainda a música do compositor Arvo Pärt (1935-), com a apresentação do De Profundis (1980) e a Summa (1977), que na verdade é um Credo ao qual o compositor mudou o nome para evitar problemas com o regime soviético.
Preservar um tesouro português: o sobreiro
As vozes unem-se, em Grândola, para a salvaguarda de um bem coletivo do maior significado ambiental, económico e social, o sobreiro. No âmbito do programa de preservação ambiental desenvolvido pelo FTSS, a manhã do dia 6 será dedicada a uma ação de sensibilização para a defesa desta árvore e do seu ecossistema. A iniciativa começa às 10h30, na Herdade das Barradas da Serra, e é realizada em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, o município grandolense, o WWF-World Wide Fund For Nature e duas ONG que promoveram a pioneira classificação do sobreiro como símbolo nacional as associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza.
Com o envolvimento da Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e dos alunos da Eco-Escola das Ameiras de Grândola, artistas e comunidade local, a colocação nos sobreiros de ninhos construídos com canudos de cortiça virgem, a verificação das caixas-ninho colocadas no ano passado pelos artistas do Terras Sem Sombra, a realização de uma tiragem de cortiça e outras atividades exploratórias da biodiversidade do montado (flora e fauna) são algumas das ações agendadas.
Como expressa José António Falcão, diretor-geral, tomando as palavras do deputado Miguel Freitas: A partir de agora, sempre que se abaterem sobreiros, não se abate apenas uma espécie protegida, abate-se um símbolo da nação.