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26 de Abril de 2012, 08:52

Alegado organizador de atentado em Camarate confessa-se

Sem querer comentar diretamente o documento atribuído a Francisco Farinha Simões, já ouvido noutra comissão de inquérito, em 1995, o deputado do CDS/PP considerou, em declarações à agência Lusa, que “há aspetos que nunca foram averiguados", relacionados com a queda do avião ocorrida nos arredores de Lisboa há 31 anos.

Nas restantes bancadas parlamentares contactadas pela Lusa, o PS, através de Ricardo Rodrigues, disse que apoiará a proposta de criação de uma nova comissão, se for apresentada por outro partido, enquanto o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, remeteu para “mais tarde” uma posição sobre o assunto.

O primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro passos Coelho, afirmou em Dezembro passado, quando se assinalaram 31 anos sobre a morte de Sá Carneiro, que o processo deveria ser reaberto no caso de surgirem dados novos.

A IX Comissão de Inquérito a Camarate, presidida por Ricardo Rodrigues e tendo como relator José Ribeiro e Castro, foi interrompida no ano passado, com a dissolução da Assembleia da República.

Farinha Simões, que diz ter sido um quadro da agência de espionagem norte-americana CIA até 1989, cumpre atualmente, na cadeia de Vale de Judeus uma pena de 6,5 anos por sequestro, coação e violação de domicílio da jornalista Margarida Marante.

Num texto com 18 páginas colocado na internet (youtube) justifica só agora vir confessar a sua intervenção - no que garante ter sido um atentado - por já não correr o risco de ser julgado e por já não estar obrigado ao sigilo que a CIA impõe aos seus anteriores quadros.

Por outro lado, diz ter decidido "falar por obrigação de consciência”, escreve no início da alegada confissão por si assinada e que entregou a outro dos envolvidos no caso Camarate, José Esteves.

Na sua versão, terá sido ele, a mando da CIA, que contratou José Esteves para fabricar a bomba que foi colocada no avião por Lee Rodrigues, cujo paradeiro se desconhece.

Farinha Simões chegou a ser ouvido no Parlamento numa anterior comissão de inquérito, em 1995, quando se encontrava também detido, nessa altura por condenação por tráfico de droga.

A “operação de Camarate” custou entre 750 mil e um milhão de dólares, pagos de cartões de crédito que usava e que lhe estavam atribuídas pela CIA, conta farinha Simões, datado de 26 de março passado, precisando: “Só o sr. José Esteves recebeu 200.000 USD (dólares)”.

No relato escrito, onde abundam factos e nomes, Farinha Simões diz que conheceu Frank Carlucci, ex-embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, em 1975, e que descreve como responsável da agência de espionagem norte-americana de quem terá recebido instruções para operações entre 1975 e 1982.

Terá sido Carlucci a falar-lhe pela primeira vez, “por alto”, num “trabalho” que pretendia que realizasse e que mais tarde veio a saber, conta, tratar-se da operação em que viriam a falecer Sá Carneiro, o seu ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, as restantes quatro pessoas que seguiam no pequeno avião Cessna e uma sétima, atingida em terra pela queda do aparelho.

@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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