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15 de Dezembro de 2011, 11:59

Portagens: ex-SCUT empurra trânsito para "estrada da morte" algarvia

Foto: Lusa/Luís Forra

Após a entrada em funcionamento das portagens eletrónicas, na passada quinta-feira, dia 8, veículos ligeiros e pesados circulam em filas compactas, em muitos troços a velocidades excessivamente lentas para as características da estrada, constatou a Lusa.

Na grande “rua” de 273 quilómetros, com múltiplos cruzamentos de nível, semáforos, rotundas, áreas comerciais rentes à estrada e até passadeiras sem sinalização luminosa, sofrem os automobilistas, mas sofrem também os muitos ciclistas e peões, obrigados a percorrê-la ou atravessá-la.

“Agora chego a estar 15 minutos para a atravessar, quando dantes atravessava em menos de um minuto, até tenho medo”, disse à Lusa Vítor Quintado, 50 anos, proprietário de uma churrasqueira à berma da velha via longitudinal do Algarve, em Fonte de Boliqueime.

Entre as 7 e as 10:00 da manhã e das 17 às 19:00 a EN125 converte-se numa via confusa e barulhenta como Quintado não se lembra de a ter visto antes, afirma, quase aos gritos, devido ao constante ruído dos camiões, que abafa a conversa entre comerciante e repórter.

Ao contrário do seu vizinho do outro lado da barreira do trânsito, Leonilde Grosso, 60 anos, proprietária de uma pensão e de uma pastelaria, garante que as vendas até subiram desde que o trânsito voltou, mas apenas 10 por cento.

“As pessoas não têm dinheiro e não há trabalho. A maior parte dos meus clientes são pessoas de trabalhos aqui perto, os outros não param”, diz a proprietária, que confirma o aumento grande do trânsito desde há uma semana.

O barulho que agora lhe inferniza o quotidiano “começa às quatro da manhã e depois não acaba mais”, queixa-se, convicta de que “quando houver um acidente na zona do cruzamento será um caos”.

Com o fim da requalificação prevista para o segundo semestre de 2013, a estrada que atravessa o Algarve de lés-a-lés constitui, em alguns troços, um autêntico estaleiro, driblado pelas bermas pelo intenso tráfego, como ocorre no sítio da Patã e no troço entre Lagos e Vila do Bispo.

Atrasadas três anos em relação ao que fora prometido pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates – que calendarizou o fim da intervenção para finais de 2010 -, as obras consistem também na introdução de vias de serviço e de variantes.

Enquanto não estiverem concluídas as variantes a Lagos, Odiáxere, São Lourenço/Troto, Faro, Olhão e Luz de Tavira, circular na EN125 significa em muitos casos atravessar cidades, aumentando o caos de malhas urbanas já habitualmente congestionadas.

Mesmo assim, Vítor Rodrigues, 39 anos, motorista de profissão, que percorre diariamente o Algarve de ponta-a-ponta, acha compensador não voltar a usar a A22 e circular pela velha via.

“Nunca mais andei na Via do Infante desde dia 8, há uma semana que só uso a 125”, afiança o distribuidor por conta própria de Loulé, calculando que na última semana já poupou “muito mais de 100 euros” ao recusar as passagens pelos novos pórticos da A22.

Já Analídeo Neves, 50 anos, concorda com os cálculos que apontam para o triplicar do movimento à porta da sua pastelaria, na Maritenda, mas adivinha o pior nos meses de verão, quando os visitantes da região chegarem em força.

Ciente de que o trânsito que lhe passa aos pés passou “para mais do dobro” em meia dúzia de dias, o vendedor de laranjas e tangerinas Celestino Prata, 78 anos, só lamenta que os carros não parem mais junto ao seu trator.

“Ao sábado e domingo ainda vão parando, mas aos dias de semana continua a ser igual ao que era”, lamenta o agricultor/comerciante, criticando os aumentos das portagens mas sobretudo a dimensão desses aumentos.

“As portagens se calhar justificavam-se, mas não a este custo, que é um exagero”, decreta, do alto dos seus quase 80 anos de trabalho e sabedoria.

Não está só na convicção, a avaliar pelo reduzido trânsito na outrora concorrida A22, onde a meio da manhã se chegam a passar mais 30 de segundos entre dois carros na mesma direção, conforme constatou a Lusa.

@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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