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26 de Setembro de 2011, 09:59

Lisboa: Prédio devoluto é agora um manifesto de reabilitação urbana mas também de promoção cultural da Mouraria

No Beco do Rosendo, uma pequena praça atrás do Poço do Borratém, junto ao Martim Moniz, um antigo prédio devoluto da Câmara de Lisboa é agora o “Edifício Manifesto”.

A associação Renovar a Mouraria alugou-o à Câmara de Lisboa e começou a desenvolver um projeto de reabilitação. “Tendo em conta o momento atual, a falta de investimento em reabilitação urbana, achamos que era necessário criar um método, uma ideia, um conceito que desse resposta e que permitisse as pessoas normais, com poucos recursos conseguissem fazer um trabalho de reabilitação com qualidade”, disse Lucinda Correia, uma das arquitetas envolvidas no projeto.

“O manifesto acaba por ser a própria obra”, acrescentou, já que o ateliê Artéria pretende também que este seja um “manifesto de aproximação das pessoas”.

Daí terem criado um programa educativo, o “EME”, que pretende que as crianças das escolas da Mouraria — que já trabalharam com a associação — acompanhem o processo das obras para que, mais tarde, “estejam sensibilizados para a reabilitação urbana”.

“Manifesto também para quebrar o tabu do não envolvimento das pessoas nas obras. A ideia é otimizar a obra para trazer as pessoas do bairro e ter uma ação pedagógica, para explicar como é se faz uma obra, para que depois saibam cuidar da Mouraria”, explicou Lucinda Correia.

O “Edifício Manifesto” está ainda em fase de projeto, mas a Renovar a Mouraria já tem uma ideia do que quer construir naquele antigo prédio devoluto.

“Queremos fazer uma casa comunitária. Vamos fazer um ajuste na cobertura para termos um espaço — onde agora é um sótão — para os escritórios da Renovar. O piso intermédio vai servir para um espaço multiusos e o piso térreo que vai ser uma cafetaria com programação cultural”, descreveu Ana Jara, da associação.

No espaço multiusos, a Renovar a Mouraria pretende fazer várias ações, como cursos de línguas, workshops culturais, mas também criar um gabinete jurídico e de apoio profissional para os habitantes do bairro, para que possam enviar currículos ou entregar o IRS.

A cafetaria vai estar “ainda mais aberta à rua” e vai ter festas e noites de fado. Este espaço pretende contribuir para a “sustentabilidade financeira” da associação.

“Todas as semanas vão acontecer coisas. A programação vai gerar uma série de atividades e até de promoção e uma espécie de chamada de atenção de pessoas para Mouraria, um bairro que as pessoas ainda não estão habituadas a visitar”, considerou Ana Jara.

O edifício pretende ser também um manifesto de “sensibilização”, já que “há muitos edifícios que também podem ter o mesmo caminho”, desafiou, por sua vez, Lucinda Correia.

A reabilitação deste prédio está orçamentada em 150 mil euros. A Câmara de Lisboa é parceira do projeto, tendo atribuído 30 mil euros para a obra no âmbito do programa Bip-Zip (Bairro de Intervenção Prioritária - Zona de Intervenção Prioritária). Também uma marca de tintas forneceu os materiais (num valor de 50 mil) e entre outros parceiros a Renovar a Mouraria já angariou 20 mil.

O “Edifício Manifesto” deve ser inaugurado durante o próximo ano.

@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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