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19 de Agosto de 2011, 12:12

Livro "Alma de Cão" conta a história de 23 cães em risco

Paula Costa começou a recolher cães aos seis anos, “um dia trazia um, outro dia chegava com outro e mais outro”, diz, em declarações à Agência Lusa.

Já adulta, “e com espaço em casa”, resolveu, juntamente com uma prima “que alinhou nesta aventura”, criar um refúgio para cães em situações de risco, nascendo assim o Parque da Terra Nova (PTN), em Riba D’Ave, Famalicão.

Hoje, tem 104 cães em casa, “todos com nome”, garante Paula Costa.

Há quatro anos começou a juntar histórias de alguns dos animais que protege.

“Achei que algumas das vidas destes cães deviam ser contadas. Pelo menos as mais marcantes”, revela, explicando assim porque escreveu e pagou a edição do livro “Alma de cão — Histórias do Parque com amor”.

Neste livro, recentemente lançado, Paula Costa relata 23 histórias de “animais que sofreram de alguma forma”. Julieta, uma cadela bege, faz parte de uma dessas histórias.

“A Julieta mordeu um polícia que a tentou enxotar da rua ao pontapé. Ia ser abatida por ser um perigo. Eu responsabilizei-me por ela, assinei uma data de papelada e aqui está ela”, diz, apontando para a cadela que entretanto lhe salta para o colo.

“Ela apenas se defendeu. Quem não o faria?”, remata.

Quando um cão entra no PTN há um procedimento a cumprir.

“Primeiro tratam-se as feridas e são desparasitados. Depois, estudo o temperamento deles e decido em que grupo do PTN vão ser inseridos. A castração é outra regra do Parque, para segurança dos próprios animais”, explica Paula Costa.

No PTN os animais estão divididos: “os mais velhinhos para um lado, os mais irrequietos para outro, enfim. Cada um tem a sua matilha e cada matilha o seu líder”, realça.

E custos? “São muitos. Só em rações são 700 euros. Mais os salários dos quatro funcionários do PTN e cerca de 500 euros em luz, mais água e veterinários”, enumera a autora.

Paula Costa admite que é “uma estrutura pesada” mas “vale a pena o esforço”.

“Ver um animal que estava ‘morto’ e que agora corre, brinca, ladra e é feliz não tem preço. Criámos um programa de apadrinhamento no nosso site http://parquedaterranova.com. Quem não pode ter um animal em casa pode sempre ser padrinho de um e vir visitá-lo quando quiser”, avisa a autora.

É ainda possível adotar um dos cães do PTN.

“Mas só sai um cão daqui se tiver a certeza que vai ser bem tratado”, avisa Paula Costa que garante ainda que “cada cão adotado é vigiado”.

O livro “Alma de Cão — Histórias do Parque com amor” vai na segunda edição e pode ser comprado através do site do PTN.

@Lusa

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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