Amadora: Moradores em vigília para salvar horta comunitária da Damaia
Um grupo de moradores da Damaia, Amadora, está hoje em vigília junto à sua horta biológica para tentar evitar que as máquinas da câmara avancem com a destruição deste espaço comunitário, temendo também o que definem como crime ambiental.
A horta nasceu há sete meses nas traseiras da Praceta Marques de Castelo Novo, entre prédios e junto a uma antiga escola primária.
Na quinta-feira, funcionários da Câmara da Amadora procederam à demolição de parte de um antigo pavilhão da escola, que atualmente funcionava como suporte à horta, como armazém das ferramentas utilizadas por cerca de uma dezena de moradores do local.
Segundo um dos hortelãos, Rui Ruivo, o processo de demolição representou um crime ambiental, uma vez que, segundo o grupo, os materiais do antigo pavilhão são de origem “cancerígena”, altamente nocivos para a saúde.
“As paredes do pavilhão estão revestidas de amianto. Neste momento não sabemos até que ponto o solo da horta e o ar não estão contaminados. Os funcionários da câmara estavam a demolir o edifício até que nós os alertámos para esta questão do amianto, só então pararam”, disse, adiantando que os agricultores urbanos não “arredam pé” do local com receio de ver a horta destruída.
Os moradores estão indignados com a posição da autarquia da Amadora, uma vez que, consideram, o terreno que agora está revestido de verde e outras cores, com várias culturas ali plantadas — tomates, pepinos, abóboras - esteve abandonado durante vários anos.
Os promotores da horta comunitária estão a recolher assinaturas entre apoiantes da causa para tentar evitar a destruição deste espaço que, por norma, envolve dezenas de moradores e atividades aos fins de semana.
“Nunca ninguém se preocupou com isto. É um espaço que está a ser desenvolvido para o bem comum. Vamos responder com as armas que temos e já recolhemos 500 assinaturas”, disse Rui Ruivo, adiantando que os moradores têm agendado um piquenique para sábado, às 10:00.
Fonte da Câmara da Amadora disse à agência Lusa que, para já, será demolido o barracão, mas mais tarde a horta comunitária terá o mesmo destino.
“Naquele lugar vai nascer um futuro espaço verde. A câmara está a preparar um projeto de hortas comunitárias, com cerca de cinco hectares, para onde estas pessoas depois podem ir”, disse.
Segundo a fonte, o barracão da antiga escola “era um foco de problemas”, tendo inclusive sido alvo de denúncias “por parte dos moradores que se queixavam de que era um foco de droga e de prostituição”.
A autarquia contactou uma empresa para proceder à remoção do amianto, desconhecendo-se a data em que irá ser concluída a demolição do edifício.
@Lusa
Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.