Depois de mais uma época de chuvas, a casa encontra-se em risco de ruir e os buracos cada vez maiores no telhado e nas paredes tornam mais difícil perceber como seria no tempo em que era chamada de "palácio".
"Está muito degradada, quase que é até um milagre ela manter-se em pé, porque o telhado está em completa ruína. Pensávamos que já este inverno cairia", afirmou à agência Lusa Luís Fidalgo, administrador da Fundação.
Contou que, ainda há menos de um ano, o então ministro da Cultura António Pinto Ribeiro e o embaixador de Israel em Portugal visitaram a casa (classificada Monumento Nacional em 2005) e se mostraram impressionados com o seu estado.
"O senhor ministro deu aqui um grande impulso à porta desta casa, dizendo que queria o projeto para estar pronto em três meses. Entretanto, ele também saiu do ministério e com reestruturações na própria Direção Regional da Cultura (DRCC) parece-me que o próprio arquiteto (responsável pelo projeto) já não está", lamentou.
Por considerar que a Fundação não pode ficar de braços cruzados e agarrada "a um projeto que não anda do Ministério da Cultura", na semana passada Luís Fidalgo propôs aos restantes membros que partissem "para outros caminhos".
"Fiquei de fazer contactos com duas ou três personalidades dessa área no sentido de saber da sua sensibilidade para abraçar esse projeto e esperamos a breve prazo ter algumas novidades", contou, acrescentando que com o projeto feito, quer a Câmara Municipal de Carregal do Sal, quer a Fundação poderão candidatar-se a fundos comunitários.
Em agosto do ano passado, prevendo este inverno, a Fundação propôs à DRCC fazer "uma intervenção no sentido de aliviar as cargas do telhado, tirar algumas telhas". No entanto, o parecer não foi favorável, propondo a DRCC "fazer uma cobertura autoportante fixa que preservasse a casa, mas que os custos seriam na ordem dos 350 mil euros".
"Os custos são 350 mil euros, mas ninguém diz quem é que os suporta, considerando que a Fundação não tem neste momento qualquer recurso financeiro", afirmou Luís Fidalgo.
O administrador, que é também vice-presidente da autarquia, lembrou que um estudo prévio já elaborado estimava que "o custo do restauro e das obras seria da ordem do meio milhão de euros", valor que considera "muito pouco significativo para um investimento deste tipo".
O objetivo é transformar a Casa do Passal num espaço que dê a conhecer a importância do cônsul português na história e os valores que ele representa.
"É um investimento no interior, na cultura e sobretudo naquilo que é uma obra que em termos regionais e nacionais se impõe como um dever de Estado. Acho que o Estado português deve isso para aliviar a injustiça que caiu também sobre Aristides de Sousa Mendes e toda a família", frisou.
Contactado pela Lusa, o diretor regional de Cultura, António Pedro Pita, remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre a situação.
SAPO/Lusa