"Criados em 1980 para os trabalhadores independentes e profissões liberais, os recibos verdes tornaram-se progressivamente o normal para um em cada cinco trabalhadores em Portugal", escreve Jean-Jacques Bozonnet, no Le Monde.O autor do artigo "Em Portugal os recibos verdes encarnam o extremo da precariedade laboral" dá o exemplo de duas portuguesas: Myriam Zaluar , jornalista, 39 anos, e Cristina Andrade, psicóloga e funcionária do Ministério do Trabalho. Desde que se despediu do seu trabalho, em 1998, Myriam está a recibos verdes, e Cristina assinou este ano o primeiro contrato de trabalho (por três anos) depois de cinco anos a recibos verdes.
Cristina Andrade é também fundadora do movimento FERVE (Fartos Destes Recibos Verdes), responsável pelo lançamento do debate para a opinião pública, divulgação de casos e luta contra a precariedade laboral.
O artigo explica como em Portugal é possível tantos portugueses estarem nesta situação: "Mesmo que se apresentem todos os dias na oficina ou no escritório, com horários fixos e colegas de trabalho, durantes meses ou anos, o patrão permanece um simples cliente a quem eles prestam um serviço e que pode interromper a colaboração de hoje para amanhã".
A obrigatoriedade de pagamento de Segurança Social para os trabalhadores a recibo verde, assim como o facto de não terem direito a subsídio de desemprego, são outras das questões abordadas.
O Secretário Geral da CGTP,Ccarvalho da Silva, também é citado, dizendo que a situação de desemprego e precariedade em Portugal só vai piorar.
A culpa será de Bruxelas? O politólogo Villaverde Cabral responde:"Maastricht, a conversão para o euro, foram sem dúvidas demais para nós. Mas se os portugueses vêem que estamos mal com o euro, também sabem que estaríamos bem pior sem ele".
@Vera Moutinho