No início de Abril, durante a visita à Turquia, o presidente norte-americano deu um impulso importante no processo de adesão daquele país à União Europeia.
Barack Obama deixou claro que a entrada da Turquia como estado-membro seria "um sinal importante" enviado aos países muçulmanos e um meio de firmar estes países na esfera europeia.
O governo de Ankara ganhou novo fôlego depois destas palavras, numa altura em que as negociações com Bruxelas estavam praticamente congeladas devido ao conflito com o Chipre (o exército turco ocupa o norte da ilha desde 1974) mas também devido ao travão imposto por países como a França e a Alemanha.
Em Março deste ano, o Parlamento Europeu mostrou-se preocupado com o abrandamento no processo de reformas que a Turquia precisa de fazer no país, em direcção a uma sociedade democrática e pluralista.
Dos 35 capítulos de negociação com a UE, dez foram abertos e apenas um conluído, desde o início das conversações, há quatro anos. O Parlamento Europeu não vê grandes avanços e regista com desagrado os casos de violência para com as minorias que têm lugar na sociedade turca.
Os opositores à plena adesão da Turquia à UE são antes favoráveis a um "Acordo de Parceria estratégica aprofundado" que se traduz num aprofundar dos acordos que já existem.
O apoio de Portugal à plena adesão da Turquia à comunidade europeia é conhecido e será reforçado da visita oficial que o Presidente da República português inicia esta semana.
A Turquia é já parceiro de Portugal na NATO e no Conselho da Europa: a conclusão do processo de adesão é o caminho natural para Cavaco Silva.
Também Durão Barroso, durante a Cimeira de Praga em Abril, reiterou a ideia de que o processo de negociações com a Turquia visa dar a Ancara o estatuto de membro da UE e não descobrir uma outra fórmula de colaboração.
Em ano de eleições europeias, os candidatos portugueses dividem-se sobre esta questão. PS e PSD aceitam esta adesão (com Vital Moreia a avisar que não será "para amanhã nem para depois de amanhã") desde que a Turquia cumpra os critérios estabelecidos pela União Europeia .
O PCP e BE concordam mas apelam a que o povo turco se pronuncie, sendo o CDS o partido com mais reservas a uma integração plena dos turcos no espaço dos 27.
Ao gigante turco (com uma população que ultrapassa os 70 milhões) cabe agora atar as pontas soltas no processo de negociação (conflitos com o Chipre, Arménia) e provar à União Europeia que, apesar de ter apenas um pé em território europeu quer estar de corpo inteiro na Europa.
@Vera Moutinho
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