O projecto do Nabucco, um gasoduto de 3.300 quilómetros, prevê o fornecimento à Europa de gás proveniente do Mar Cáspio através de um percurso que deve passar pela Turquia, Grécia, Bulgária, Roménia, Hungria e Áustria, contornando o território russo.
De acordo com fonte da Presidência da República, um dos objectivos de Cavaco Silva nesta visita oficial à Turquia é exactamente reforçar relações com uma nação que se pode afirmar como importante país de encaminhamento de fontes de energia como o petróleo.
Portugal procura assim quebrar a dependência de países como a Rússia ou a Ucrânia em matéria de abastecimento de energia, ao mesmo tempo que aposta nas energias renováveis.
O gasoduto do Nabucco terá uma capacidade de transporte de 31 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano e prevê-se que entre em funcionamento em 2014, embora o seu financiamento, avaliado em 7,9 mil milhões de euros, ainda não esteja totalmente garantido.
O projecto do Nabucco voltou a ganhar importância com a mais recente crise do gás russo, que devido a um diferendo com a Ucrânia provocou a interrupção do fornecimento de gás a vários países da Europa.
Delegação empresarial e vinho do Porto
Entre as cerca de 30 empresas que acompanham o Presidente da República português na visita à Turquia está o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto.
A importação de vinho do Porto pela Turquia foi liberalizada abrindo assim portas a um potencial mercado. Durante a visita vão ser feitas provas de vinhos por sectores específicos da hotelaria e restauração.
A economia turca não escapa à crise mundial e atravessa tempos difíceis, apesar dos progressos alcançados depois de um acordo com o Fundo Monetário Internacional em 2002.
Para 2009 está prevista uma contração do PIB de 3,5%, semelhante à previsão feita para Portugal. As relações políticas e económicas entre Portugal e Turquia são boas, mas podem ser melhores no que toca a negócios: a Turquia é o 22ª cliente de Portugal e o 25ª fornecedor.
Portugal espera adesdão rápida da Tuquia à UE
A visita de Cavaco Silva tem como pano de fundo um outro elemento não menos importante. A adesão da Turquia à União Europeia está em cima da mesa de negociações desde 2005, mas Portugal, explica fonte da Presidência da República, acredita que a situação vai “evoluir no sentido positivo e rápido”.
Cavaco Silva não esquece a oposição da França, por exemplo, à adesão turca, mas também terá em mente as palavras de Barack Obama que, no início de Abril na Turquia, disse que a adesão daquele país seria um “sinal importante" enviado aos países muçulmanos e um meio de firmar estes países na esfera europeia.
@Vera Moutinho