22 de Abril de 2009, 15:40

Vantagens de comer «Biológico»



Nenhuma actividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta importância para a saúde como a agricultura”. Prof. Pierre Delbet (Academia de Medicina, França).

Na civilização em que vivemos, nem sempre é evidente a importância que o sector primário assume nas nossas vidas. À medida que a população activa que se ocupa deste sector se vai reduzindo, os nossos filhos vão crescendo, nas cidades, habituados a conhecer como origem dos alimentos assépticas prateleiras de supermercados. Se o fosso que separa a população portuguesa das suas origens rurais parece acentuar-se, um pressuposto permanece inalterável: dependemos da terra para a nossa sobrevivência; é a agricultura que sustenta a actividade e conquistas da nossa civilização moderna. É, pois, uma actividade vital e com repercussões globais: no ambiente, nas plantas, nos animais, no Homem.

Mas... que agricultura?

Tradicionalmente sabia-se, no nosso país, como preservar a fertilidade do solo, faziam-se siderações, rotações — existia uma racionalidade na agricultura que se prendia com a continuidade ao longo das gerações, porque a terra era passada como um bem precioso de pais para filhos e servia verdadeiramente como base para a saúde e sobrevivência...

No final da primeira Grande Guerra, no entanto, as empresas que fabricavam explosivos foram reconvertidas para a produção de adubos azotados para a agricultura. Foi o início da Agricultura moderna. Seguiram-se a este inúmeros avanços tecnológicos, desenvolveu-se a indústria dos pesticidas, uniformizaram-se práticas e aumentaram-se rendimentos. Mas o preço deste acréscimo de produtividade foi elevado: contaminação do solo, das águas, da atmosfera e dos alimentos; desertificação do meio rural; endividamento e dependência do agricultor relativamente a factores de produção e subsídios; perda de biodiversidade, descaracterização da agricultura e perda de práticas ancestrais de uma agricultura sustentável no tempo; milhares de envenenamentos acidentais por pesticidas todos os anos; efeitos na saúde humana e animal que ainda agora começam a ser conhecidos: cancros, doenças degenerativas do sistema nervoso, infertilidade…

A Agricultura moderna contribuiu largamente para inquinar o ambiente e os alimentos, que são a base da nossa saúde.

Como alternativa a estes sistemas de produção tem vindo a ser desenvolvida, desde os anos 40 (embora com raízes em movimentos que tiveram início nos anos 20), a Agricultura Biológica. Longe de representar um retrocesso no tempo, é um sistema de produção que procura aliar tecnologias modernas com práticas de agricultura sustentável, não poluente, de base ecológica. Em países desenvolvidos, trata-se de uma mudança fundamental para inverter o processo de poluição e contaminação generalizada, de erosão e perda de solo, de desertificação de zonas rurais. Em países do Terceiro Mundo, permite às populações cuidarem do próprio solo, tornarem-no ou manterem-no fértil, produzirem o seu próprio alimento com base em recursos locais, conferindo-lhes a autonomia necessária para um desenvolvimento mais equilibrado e independente.

Enquanto consumidores, podemos ter uma palavra a dizer, a nível individual, através das nossas escolhas de consumo. Estas podem exercer uma influência determinante: em benefício da nossa própria saúde e da dos nossos familiares e, ao mesmo tempo, em defesa do ambiente, dos solos e das águas, da vitalidade dos espaços rurais. Nesse sentido, consumir alimentos biológicos é um gesto positivo e inovador, um voto concreto para uma mudança necessária no sentido da saúde e do bem-estar global — individual e planetário. Vejamos mais aprofundadamente como e porquê…

AS VANTAGENS DE CONSUMIR BIOLÓGICO

Vantagens para a saúde

O consumo de alimentos sãos, não desnaturados e isentos de contaminação química, é um meio preventivo por excelência. Nesse sentido, os alimentos biológicos contribuem plenamente para uma alimentação promotora de saúde e bem-estar. A superioridade destes produtos para a alimentação humana tem sido demonstrada em várias vertentes:

1. Valor nutritivo e sabor

Diversos estudos realizados indicam que os produtos de Agricultura Biológica são mais ricos em matéria seca, minerais e vitaminas, incluindo anti-oxidantes (importantes na prevenção do cancro). O seu menor teor em água, dando lugar a uma maior concentração em matéria seca e nutrientes, reflecte-se num sabor e aroma mais ricos. Consumir produtos de Agricultura Biológica é, assim, um modo de reencontrar o sabor genuíno e tradicional dos alimentos, uma forma saborosa de promover a saúde.

Artigo: Naturlink - Alexandra Costa (AGROBIO) e Jean-Claude Rodet

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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