25 de Março de 2009, 16:04
O líder da extrema-direita francesa, Jean Marie Le Pen, reafirmou hoje no Parlamento Europeu que é "uma evidência" que as câmaras de gás foram "um detalhe" da história da Segunda Guerra Mundial, declaração que já valeu ao político uma condenação em França.
No centro de uma polémica no Parlamento Europeu de Estrasburgo sobre a possibilidade de presidir a próxima sessão inaugural, Le Pen afirmou ter sido vítima de "acusações difamatórias" da parte do líder da bancada socialista, Martin Schulz. Ontem, Schulz chamou Le Pen "velho fascista" e "negacionista do Holocausto".
"Limitei-me a dizer que as câmaras de gás foram um detalhe da história da guerra mundial, algo que é uma evidência", declarou Le Pen no Europarlamento, sob as vaias dos presentes.
"Lembro que nessa ocasião fui condenado a pagar 200.000 euros, o que prova o estado no qual se encontra a liberdade de expressão na Europa e em França", acrescentou, exigindo ao presidente do grupo socialista "que peça de boa vontade desculpas por uma acusação que é mentirosa".
As suas novas declarações de hoje diante dos seus colegas do Parlamento Europeu reavivaram a controvérsia que agita a instituição desde o início da semana. A esquerda procura impedir que Le Pen possa presidir a próxima sessão inaugural do Parlamento, após as eleições europeias de Junho.
Le Pen celebrará 81 anos no mês das eleições e é membro do Parlamento Europeu desde 1984. Se for novamente eleito na liderança da Frente Nacional, será o deputado mais velho do próximo Parlamento. O regulamento interno prevê que o decano dos políticos presida a sessão inaugural da nova assembleia. Algo que Martin Schulz, apoiado pelos Verdes, propôs ontem alterar.
"Que aqueles que não querem que esse homem dirija a sessão inaugural do Parlamento Europeu aprovem a minha proposta de modificar o regulamento", disse hoje Schulz, pedindo que a Presidência do Parlamento tome "medidas" após as propostas "inaceitáveis" de Le Pen.
Já o líder dos conservadores, Joseph Daul, considerou que Le Pen está "deslocado" e exigiu "respeito" às vítimas dos campos de concentração. Rejeitada pelo líder dos liberais Graham Watson, a proposta de Schulz será "analisada" pelos conservadores, prometeu Joseph Daul.
Esta não é a primeira vez que Jean-Marie Le Pen reitera tais afirmações. Fê-lo pela primeira vez numa estação de rádio francesa em Setembro de 1987, o que lhe valeu uma multa de 183.200 euros. Em 2005 repetiu as afirmações, e novamente em 2008 na revista "Bretons".
Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.