Nome: Cão de Água Português
Altura: Entre 50 e 57 cm
Pêlo: Comprido e ondulado
Principais características: Energético, fiel e meigo
Em Portugal, é na Ria Formosa que se pode encontrar a "elite" dos Cães de Água Portugueses. No canil da Ria Formosa, instituição que tem como principal objectivo preservar e dar a conhecer a raça de cão portuguesa, há várias cães que já ganharam vários prémios, quer em modalidades de prova na água como em beleza...
Actualmente é na região do Algarve que se encontra o maior número de exemplares de cães d'água de Portugal, existem cerca de 3.000, embora a maior comunidade esteja nos EUA, graças à actriz Deyanne Miller, que aparecia em fotografias com um cão d'água comprado a Conchita Citron, a primeira portuguesa a tourear naquele País e que popularizou a raça.
O Cão de Água Português foi desde cedo adoptado pelos pescadores que o consideravam como um companheiro. Excelente nadador e mergulhador, este cão era utilizado para recuperar o peixe que se soltava dos anzóis e outros objectos na água.
Diz a lenda que o cão chegou mesmo a salvar pescadores (na altura, era frequente os pescadores não saberem nadar). O Cão de Água Português transportava também mensagens de barco para barco e nas horas vagas dos pescadores era responsável pela guarda da embarcação.
Como recompensa, os pescadores dividiam com ele o peixe e o dinheiro que faziam com o comércio, que ficava a cargo do homem eleito para cuidar do animal. Devido a esta repartição igualitária, os pescadores mais velhos e afastados do mar alugavam por vezes os seus cães, de forma a conseguirem um rendimento extra.
A mecanização que chegou com a Revolução Industrial veio não só substituir alguns homens, mas também o cão. Os rádios passaram a assegurar a comunicação entre os barcos e os guinchos faziam com que a rede fosse fácil de puxar. Gradualmente, em vez de dois cães olhando um para bombordo e outro estibordo, os barcos começaram a modernizar-se e a abdicar dos animais.
Perdendo cada vez mais território, o Cão de Água Português, que originalmente estava presente em toda a costa portuguesa, refugiou-se no Algarve, onde a tradição piscatória se manteve.
Da pesca para as exposições
Por volta dos anos 30, o Cão de Água Português estreou-se também nas exposições. Apesar de os números do Cão de Água Português estar a diminuir, o seu valor para os pescadores não foi alterado. Estes cães não eram vendidos, apenas dados ou trocados, o que colocou alguns obstáculos a entusiastas da raça para obterem exemplares de forma a fundarem o seu canil.
Foi o interesse pela raça de Vasco Bensaúde, dono de uma frota pesqueira, que garantiu a sobrevivência da raça. Responsável pelo estalão e pela formação do clube do Cão de Água Português no país, Vasco Bensaúde, reuniu vários exemplares espalhados pelo país e iniciou um programa de criação com esses cães.
Em 1981, o Guinness Book of Records referia-se ao Cão de Água Português como a raça mais rara do mundo. Apesar desta informação carecer de verificação científica, a verdade é que rapidamente o Cão de Água Português se tornou a raça de cães portuguesa mais popular naquele país.
Hoje em dia o Cão de Água Português pode ainda ser encontrado em barcos de pescadores. Outras das suas funções são guarda e companhia
Temperamento
O Cão de Água Português é um animal energético, cheio de vida e sempre disposto a dar um mergulho. Simpático e curioso, gosta de atenção e detesta estar sozinho.
Meigo, dá-se bem com crianças, com quem se mostra brincalhão. A sua sociabilidade estende-se a cães e outros animais, como os gatos, desde que apresentados em pequenos.
Devido à sua inteligência e coragem, gosta de desafios. Mas apesar da sua energia e espírito voluntariosos, o Cão de Água Português é um animal calmo.
Fonte: Arca de Noé