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27 de Janeiro de 2009, 17:37

Banco Privado Português confirma buscas

Comissão de Mercado e Valores Mobiliários encontram-se, desde as 9h30 da manhã, a realizar buscas nas instalações do Banco Privado Português (BPP) por suspeita de branqueamento de capitais.

Em comunicado, o BPP já confirmou as buscas: "A Administração do Banco Privado Português comunica que hoje, pelas 9:30 horas, apresentou-se na sede do Banco uma equipa de investigação dirigida por um Juiz de Instrução, munida de um mandado de busca e apreensão de documentos, no âmbito de um processo a correr no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa".

No mesmo documento acrescenta que "a Administração do BPP informa que prestou, e continuará a prestar às autoridades, como é a sua obrigação, toda a colaboração que lhe for solicitada".


De acordo com informações avançadas pela SIC Notícias, as investigações decorrem nos dois edifícios do Banco Privado Português em Lisboa.

Segundo a edição on-line do Público, as buscas estão a ser realizadas a pedido da CMVM e têm a ver com a suspeita de operações realizadas no estrangeiro, consideradas irregulares, por suspeita de branqueamento de capitais.


A empresa que controla o BPP, a Private Holding, é dada como falida devido a prejuízos acima dos 247 milhões e está sob intervenção estatal depois de a 24 de Novembro de 2008 o presidente ter solicitado ao Banco de Portugal ajuda por incapacidade para cumprir com os compromissos assumidos.


O BPP, um banco de investimento com uma base mínima de depósitos e que funciona como gestor de fortunas, mostrou que estava muito exposto aos segmentos de maior risco com a queda das bolsas  o que impediu o seu presidente, João Rendeiro, de honrar os compromissos. Tal como aconteceu com outros pequenos bancos internacionais com idênticas características, o BPP ficou insolvente.

João RendeiroNesse sentido pode dizer-se que o BPP foi a verdadeira vítima da crise financeira. É neste contexto que, a 24 de Novembro, João Rendeiro, foi ao Banco de Portugal pedir a intervenção para evitar a falência.

No entanto, João Rendeiro abandonou no final de Novembro de 2008 a presidência do BPP, após uma estratégia de investimento das verbas entregues pelos clientes sustentada nos mercados bolsistas que atirou o banco para a insolvência, mas manteve-se à frente da Privado Holding.

O BPP tem como principais accionistas o próprio João Rendeiro, através da Joma Advisers (com 12,5 por cento do capital), bem como Francisco Pinto Balsemão (com 6,02 por cento), Stefano Saviotti (com 5,83 por cento) e a família Vaz Guedes (com 5,81 por cento).

O banco conta ainda com investidores como Joaquim Coimbra e a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), com 2 e 2,19 por cento, respectivamente, que têm em comum o facto de serem também ambos accionistas da Sociedade Lusa de Negócios, a 'holding' que era proprietária do BPN.

Segundo o Relatório e Contas de 2007, os capitais próprios do BPP ascendiam no final do ano passado a 250 milhões de euros, ao passo que os activos sob gestão somavam 2 mil milhões de euros.

Além destes activos, o BPP possui vários veículos de investimento - tendo alguns clientes como investidores - que controlam posições em empresas cotadas como o BCP, a Brisa e a Mota Engil, entre outras.

A desvalorização de alguns destes activos, nos últimos meses, contribuiu para as dificuldades de liquidez vividas pelo banco liderado por João Rendeiro.

No ano passado, o resultado líquido do banco ascendeu a 24 milhões de euros, tendo sido distribuídos pelos accionistas dividendos no valor de 12 milhões de euros.

 

 

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Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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