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Estoril Film Festival: O festival de cinema que quer ser Cannes em Portugal

13 de Novembro de 2008, 19:06

Deixou cair a designação «European» para acolher o nome da sua casa: o «Estoril». A segunda edição do festival de Paulo Branco volta ao número um porque mudou de nome e porque a organização encarou a do ano passado com uma versão de teste.

Este ano, a (afinal) primeira edição do Estoril Film Festival quer voltar a trazer os amigos internacionais do director do festival ao Estoril, quer voltar a ter um cartaz recheado de antestreias nacionais e quer apostar mais na transversalidade. Quer, sem modéstias, implantar em Portugal um festival com visibilidade internacional e uma envolvente próxima da que se pratica em Cannes ou em Veneza. Será que as salas de cinema, o mar e os jardins do Estoril cumprem a função?

Há um ano, o Estoril passou a ser paragem para estrelas de renome internacional. David Lynch ou Pedro Almodóvar foram alguns dos amigos que Paulo Branco conseguiu trazer até à primeira edição do seu festival de cinema e em cartaz houve estreias dos mais recentes filmes de David Cronenberg, Gus Van Sant ou Brian De Palma, entre outros. O público, talvez por ser maioritariamente lisboeta e o Estoril não ser assim tão perto, não aderiu tão bem quanto se esperava mas a atenção esteve virada para lá e todos passaram a conhecer o nome European Film Festival.

Este ano, já com um novo nome para o certame, a aposta continua a ser no cinema europeu, na área da competição, mas, fora da corrida aos prémios, a selecção passa fronteiras para mostrar cinema de todo o mundo. Para além disso, a programação continua a apostar na transversalidade colocando em destaque algumas masterclasses e encontros com o público (o realizador britânico, Stephen Frears, vai estar num já no Sábado), assim como reuniões de críticos e de escolas, e exposições de fotografia com pontos de contacto em relação ao cinema.

Bem vincada este ano está também a vontade de chamar mais público até ao Estoril. Se na edição zero do festival apenas cinco mil espectadores estiveram nas sessões do certame, este ano a direcção gostaria de chegar à marca dos 30 mil.

A partir de hoje e até ao próximo dia 22 de Novembro, o Casino Estoril e o Centro de Congressos e o Teatro Experimental de Cascais vão tornar-se salas de cinema para acolher um festival que já está no cartaz europeu e que, quem sabe, pode bem vir a tornar-se em Cannes ou Veneza ao jeito português.

O que fazer no festival:

Ver pela primeira vez em Portugal filmes que andaram pelos melhores festivais internacionais em 2008 (Fora de Competição) - Veja aqui os principais destaques

 

 

 

 

 

Descobrir os filmes em competição

Há catorze filmes europeus que ainda não passaram por outros dos grandes festivais de cinema no velho continente em competição. Entre eles, há apenas um português, 4 Copas de Manuel Mozos sobre a atribulada entrada de uma jovem na idade adulta. Na lista de seleccionadas há fitas francesas, espanholas, alemãs e de mais alguns países que prometem dar a conhecer alguns talentos menos divulgados nas respectivas cinematografias.

 

Ver e ouvir as estrelas internacionais que por cá vão estar

A partir de hoje, se andar pelo Estoril, pode candidatar-se a cruzar-se com a actriz Catherine Deneuve e os actores Michael Pitt ou Vincent Cassel. Haverá um encontro do realizador britânico Stephen Frears com o público e, mesmo sem se saber se falará aos espectadores, está confirmada a presença do veterano cineasta italiano Bernardo Bertolucci. São todos amigos de Paulo Branco, o director do festival, e vão todos passar pelo Estoril.

 

Aproveitar as homenagens para conhecer um pouco mais de:

Bernardo Bertolucci, Tim Burton e Paul Newman. Isto porque os três vão ter nas salas do Estoril Film Festival homenagens à sua obra. Bernardo Bertolucci, incontornável realizador italiano vai ver exibidos alguns pontos altos da sua obra, com início no filme 1900 com Robert De Niro no principal papel. Tim Burton vai ter direito a uma das maiores retrospectivas jamais feitas da sua obra que vai desde as curtas-metragens Vincent e Frankenweenie até aos emblemáticos Eduardo Mãos de Tesoura e Batman. Por fim, o recentemente falecido Paul Newman será recordado pela sua faceta menos reconhecida: a de realizador. Será exibida a totalidade da filmografia de Newman enquanto criador de filmes.

Recordar Luis Buñuel através de:

Esta foi uma das últimas surpresas a ser adicionada à programação do Estoril Film Festival. Para além da exposição «O México fotografado por Luis Buñuel», uma mostra com cerca de 80 fotografias tiradas pelo próprio realizador espanhol enquanto rodava filmes no México, vai ser possível assistir a um documentário com informação inédita sobre si. Chama-se El Último Guion, é dirigido pelos espanhóis Javier Espada e Gaizka Urresti e pretende ser uma espécie de balanço sobre o contributo de Luis Buñuel. Para assinalar a homenagem vai estar presente um dos filhos de Buñuel, Juan Luis.

Estoril Film Festival Web TV

Inês Gens Mendes@


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