Isto é uma página de arquivo

Todas as notícias do dia estão agora disponíveis na página principal do portal SAPO

19 de Abril de 2008, 23:19

A Naifa não desapontou, mais uma vez

XIV Festival de Teatro Juvenil

A noite de sexta-feira, no Teatro Maria Matos, (que vai receber hoje um segundo concerto do grupo às 21h30) não foi excepção. Entre músicas novas e antigas, a banda deu um concerto em que mostrou ser uma banda segura do caminho que quer percorrer.

O concerto começou com três músicas do novo disco. A primeira, uma das melhores, foi «Pequenos Romances», cantada com a ironia ou o falso desprezo necessários. Depois do mais recente single, «Filha das Duas Mães», e de «Na Página Seguinte», chegou a primeira revisitação ao álbum anterior, com «Monotone».

Com o desfiar das músicas, entre canções deste e dos outros dois discos, ficou claro que todas elas compõem um sólido corpo musical. Coerente, mas ao contrário do que o último álbum fazia temer, nada monótono.

A Naifa é um dos poucos projectos no nosso país que consegue transpor uma visão muito própria do quotidiano e dos seus conflitos banais, que podia ser hermética, de forma clara, aberta e humorada. E se os poemas são quase todos brilhantes não seriam os mesmo sem estas músicas. A «Meteorológica», talvez a melhor da banda, tocada a meio do concerto provou mais uma vez esse encontro feliz.

15:15 - OEDAinda que sejam as músicas mais antigas («Música», «A Verdade apanha-se com Enganos») a provocar as reacções mais efusivas, as músicas novas (como a segura e humorada «Esta Depressão que me Anima», ou a canção em constante equilíbrio que é «Apenas Durmo Mal») saltaram bem para o palco.

Falta ainda, naturalmente, algum tempo para todos os temas estarem ao mesmo nível. Para que o público se aproxime deles mas também para que a banda os integre no conjunto só seu feito de músicas de calçada e ruelas mas também de ferro e prédios de 7 andares.

Na memória fica, para além da passagem por «Subindo aos Céus», dos Três Tristes Tigres, e do final bastante efusivo com a «Desfolhada», um momento pequeno, quase imperceptível: quando Maria Antónia Mendes (que João Aguardela referiu acertadamente estar «por todo o lado» no concerto) termina de cantar «Todo o Amor do Mundo não foi Suficiente» e um silêncio se instala. O público hesita em aplaudir, e ela baixa a cabeça num jeito inocente, como se não tivesse reparado na beleza e no espanto do momento que acabara de proporcionar.

Frederico Batista (Texto) e Inês Mendes (Fotografias)

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Comentários

Critério de publicação de comentários

publicidade

publicidade

publicidade