Paredes de Coura, noite de ontem pela uma e um quarto. Os Babyshambles saem do palco principal cerca de quarenta e cinco minutos após nele terem entrado, deixando em suspenso a legião de jovens fãs que se acotevelavam para estarem próximos deles. Despedindo-se com um rápido "Thank you!", deixam o público em suspenso sobre se voltariam ou não, dúvida esclarecida ao fim de dez minutos quando Pete Doherty e colegas regressam para mais algumas canções. Se a saída se deveu a problemas técnicos (a guitarra de Doherty gerou alguns problemas nos primeiros minutos do espectáculo) ou a um desejo de massagens ao ego na expectativa de aplausos e pedidos de regresso, não se sabe, ou pelo menos ninguém o esclareceu na altura. 
A vantagem deste momento foi a de ter oferecido algo de memorável no espectáculo, já que da música pouco ficou, tendo em conta que a banda insiste num brit rock previsível e genérico, sem um refrão que prenda ou uma simples melodia inventiva. Os adeptos do grupo parecem ter gostado, a julgar pelo entusiasmo dos muitos imitadores do vocalista, quem já não encontrava atributos especiais no projecto não teve aqui motivos para mudar de opinião, ficando por esclarecer o motivo da escolha deste para cabeça-de-cartaz do dia. Portugal é, à partida, o único país, além de Inglaterra, a receber os Babyshambles este ano, mas depois de visto este concerto sem chama confirma-se que isso está longe de ser uma mais-valia.
Mais interessante foi M.I.A., que actuou antes no mesmo espaço, estreando-se em palcos lusos com o novíssimo álbum "Kala", o ansiado sucessor do muito aclamado "Arular". As suas canções, fusões criativas de hip-hop, funk, electro e traços de música africana ou asiática, são concentrados de energia vincados por uma sonoridade urbana que destila cosmopolitismo.
A eficácia dançável já era evidente nos discos e comprovou-se ao vivo, onde temas como "Boyz", "10 Dollar" ou "Galang", este talvez o seu single mais popular, geraram consideráveis focos de adesão. Acompanhada por outra cantora e dançarina, Cherry, e um DJ, M.I.A. - ou Mathangi Arulpragasam - ofereceu uma actuação com suficientes momentos altos, ainda que tenha sabido a pouco - apenas durou cerca de uma hora. Além da música, passou pelo espectáculo uma delirante conversa sobre "erva" entre as duas cantoras, assim como as enérgicas danças que protagonizaram ou o crowd surfing de M.I.A. no final, após ter dançado em cima das colunas, fora do palco. Cumpriu, no entanto desconfia-se que num espectáculo em nome próprio, fora de festivais, é que daria de facto um concerto não só exótico mas explosivo. 
A mistura ecléctica da cantora foi antecedida pelo rock directo dos Sparta e dos Blasted Mechanism, que a julgar pelos resultados junto do público terão feito com que a maioria tenha esquecido o cancelamento dos Mando Diao.
A maior supresa do dia foram, contudo, os New Young Pony Club, que inauguraram o palco principal e registaram uma cativante estreia por cá. O grupo britânico trouxe consigo as canções do seu primeiro disco, "Fantastic Playroom", que apesar de ainda não ter edição local tem conquistado já alguns adeptos, encontrando uma forte aliada na divulgação via Internet.
Coube-lhes a ingrata missão de actuar às sete da tarde, o que contudo não pareceu tê-los desencorajado, pelo menos à vocalista Tahita Bulmer, que não parou de se dirigir ao público convidando-o a dançar e a celebrar o facto de se encontrarem num espaço como aquele com o Sol a brilhar. Os espectadores, inicialmente apenas alguns conhecedores e pouco mais, rapidamente incluíram um público mais diversificado, entre curiosos e recém-convertidos, e ao fim de duas ou três canções os NYPC puseram muita gente a aderir aos seus temas dinâmicos e imediatos.
O disco do grupo é um contagiante party album, conciliando influências new wave e traços da música de dança actual e encontrando um saudável equilíbrio numa base rítmica dinâmica e sedutora e na voz e presença de Tahita. 
Em canções como "The Bomb" e "Jerk Me" a banda conseguiu resultados admiráveis, já que a adesão à festa seria mais esperada numa animada madrugada do que num até aí pacato fim de tarde. Mesmo assim, não se pode dizer que tenha sido um desperdício colocar os NYPC a abrir o palco, pois embora resultassem melhor num horário mais tardio não passaram despercedebidos e terão aumentado o seu discreto mediatismo por cá - a certa altura a vocalista perguntou quem é que já tinha ouvido falar deles, e o facto de, segundo a própria, os minimamente familiarizados com o grupo serem apenas uns 30% do público não pareceu tê-la desanimado.
Um dos seus singles, "Ice Cream", despertou reacções mais efusivas, e entre os espectadores ouviu-se mesmo uma adolescente dizer às amigas "Esta é a que eu adoro", dançando ao lado delas enquanto repetiu "É mesmo fixe" ou " É que é tão sexy". Estas pareceram concordar, assim como grande parte dos que foram enchendo o recinto em torno do palco principal.
Se a estreia dos NYPC não defraudou as expectativas e deixou saudades, o mesmo não ocorreu com os Crystal Castles, que pelas duas da manhã abriram o palco After Hours. A dupla canadiana tem feito das remisturas mais estimulantes dos últimos tempos - caso da de "Atlantis to Interzone", dos Klaxons, um dos grandes momentos da sua actuação - e criado algumas canções marcadas por uma electrónica suja e crua, e por isso a sua estreia em palcos nacionais despertava curiosidade.
À chegada, o duo não decepcionou, tanto pela energia da vocalista Alice, que não se fartou de gritar e pular, como pela combinação de programações rítmicas e bateria, que criaram um ambiente pujante e magnético. Algures entre Miss Kittin, Fischerspooner, Atari Teenage Riot e música de jogos de consolas dos anos 80, as canções do grupo encorajaram uma multidão saltitante que aí despertou após os boceantes Babyshambles, mas foi um oásis de pouca duração, já que os Crystal Castles não estiveram mais de meia hora em palco, abandonando-o subitamente quando o concerto registava uma invejável intensidade.
Ao contrário da banda de Pete Doherty, não regressaram, e o entusiamo do público rapidamente deu lugar à irritação devido a uma saída incompreensível, terminando um espectáculo que, segundo o previsto, deveria ter durado o dobro do tempo. Uma séria mancha numa carreira que tinha aqui uma grande oportunidade de alargar o culto por cá.
No palco After Hours os Guns n'Bombs deram continuidade à tendência dançável a partir das três da manhã, fechando um dia que recebeu ainda Zappa no palco Ruby e Slimmy e os The Blows no palco Ibero Soundos.
Para hoje, Paredes de Coura propõe, no palco principal, os Spoon, Gogol Bordello, Architecture in Helsinki, Mão Morta, New York Dolls e os cabeças-de-cartaz Dinosaur Jr., acolhendo nos restantes nomes como os Mundo Cão ou DJ Jean Nipon, entre outros.