A cobrança de portagens rendeu à Estradas de Portugal 72 milhões de euros, até agosto, mas a empresa teve de pagar 717 milhões de euros às duas concessionárias das três ex-SCUT, “a título de reposição do equilíbrio financeiro” resultante da introdução de portagens.
As receitas da cobrança de portagens ficaram aquém do previsto pelo anterior Governo, que tinha antecipado valores entre os “120 a 130 milhões de euros”, em parte devido a uma redução de tráfego 10 pontos percentuais superior à estimada.
A EP tinha previsto quedas de tráfego de 27 por cento, mas as reduções médias chegaram aos 37 por cento, verificando-se as maiores diferenças na A29, A41 e A42, com diminuições que nalguns pórticos ultrapassaram os 50 por cento.
Nos primeiros 10 meses e meio, registaram-se 70 milhões de passagens nas ex-SCUT agora com portagens e foram emitidas 1,38 milhões de notificações por não pagamento.
A Via Verde e os CTT processaram neste primeiro ano cerca de 400 mil pedidos de habilitação à discriminação positiva, que permite que os moradores em concelhos atravessados ou próximos de ex-SCUT beneficiem de isenções e descontos até abril de 2012.
A introdução de portagens nas antigas SCUT foi marcada nos primeiros meses por inúmeros protestos contra o pagamento, filas à porta da Via Verde e dúvidas sobre o complicado sistema virtual.
Os buzinões e outros protestos populares prolongaram-se por vários meses, assim como as queixas contra a escassez de postos de venda, as informações contraditórias, a falta de equipamentos, o complexo processo de pós-pagamento e o burocrático processo de habilitação ao regime temporário de isenções e descontos.
A imprensa espanhola chegou mesmo a classificar a ex-SCUT A28 como as “mais cara autoestrada da Europa”, por obrigar os automobilistas estrangeiros a desembolsar 77 euros para percorrer 76 quilómetros.
A redução de visitantes galegos teve impactos acentuados na hotelaria e restauração do litoral Norte, bem como uma forte queda de passageiros espanhóis no Aeroporto Sá Carneiro.
Várias autarquias da região apresentaram providências cautelares para tentar travar o início da cobrança de portagens, mas nenhuma teve sucesso.
@Lusa