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24 de Abril de 2011, 18:52

“Manuais não contam a história de África”, diz investigadora

As conclusões foram avançadas ao SAPO pela investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra Marta Araújo. A análise dos cinco manuais de História mais vendidos em 2008/2009 do 7º, 8º e 9º anos é o ponto de partida do estudo “Raça e África em Portugal”.

A tendência para a “simplificação e essencialização do outro” nos manuais de história já era um facto comprovado por vários académicos. “O que é compreensível já que o ensino da História tem um tempo lectivo e os manuais não podem ter mil páginas”, nota Marta Araújo.

Contudo, a simplificação dos conteúdos não invalida outra tendência constatada pela investigadora: “o 25 de Abril é algo que se passou no território e não tem a ver com o colonial”.

“O 25 de Abril é uma linha divisória na formação do Portugal contemporâneo, as colónias são irrelevantes para compreender o que o país é hoje mas é importante compreender este jogo político que começou antes do Estado Novo com a colonização”, explica Marta Araújo.

Oposição nas colónias não é abordada

"A oposição ao regime e a resistência é sempre vista do lado português"

Marta Araújo

“A oposição ao regime e a resistência é sempre vista do lado português, nunca se fala dos movimentos de resistência por parte das colónias”, refere a investigadora que lidera o projecto do CES.

Isso não quer dizer que não apareçam nos manuais referências a este assunto. “Os líderes da oposição nas colónias são apresentados mas tal não é trabalhado em forma de conteúdo”, nota Marta Araújo.

A investigadora exemplifica que num dos manuais analisados encontra-se em confronto um discurso de Salazar e outro de Amílcar Cabral, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde. No entanto, nestes discursos “nenhuma das visões questiona o colonialismo”.

Enquanto o discurso de Salazar centra-se na “missão civilizadora dos colonizadores”, o de Amílcar Cabral fala da “ineficácia do colonialismo português”. “São representações que não nos fazem muitos danos, que não vão ao âmago da questão que são as relações de poder”, defende a investigadora.

Não só no caso da Guerra Colonial mas também noutros períodos da história, o estudo conclui que há uma tendência para “a construção de uma abordagem eurocêntrica” e “ausência de história de África”. “Os manuais não contam a história de África”, realça Marta Araújo.

+ 25 de Abril nem sempre é ensinado nas aulas de História

@Alice Barcellos

 Imagem: António Tavares Santos, 1973

Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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